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sábado, 30 de abril de 2016


12dez

Ser Filho de Umbanda

Ser filho de Umbanda não é só se vestir de branco, entrar em um terreiro, cantar meia dúzia de pontos, deixar a entidade incorporar, prestar consultas e pronto. Trabalho feito “Vou para casa deitar e dormir tranquilo porque pratiquei a caridade e fui exemplo para meus irmãos”.

 

Ser filho de Umbanda é se doar pelo terreiro que te abrigou e se doar mais ainda pelas entidades com as quais você trabalha. Afinal, você não os escolheu, eles te escolheram. Seguir seus dogmas e suas crenças. Mas não acreditar piamente em tudo.

 

Ser filho de Umbanda é ser questionador. É saber o por que das coisas, o como, o por onde e como fazer melhor. É estudar, pois “religião não se discute, se estuda e se pratica”. É ter paixão por estudar, por conhecer a fundo a religião que ama e professa no dia a dia.

 

Ser filho de Umbanda é ser família. UMBANDA! Sim, pois ser umbandista é fazer parte de uma família. É ser abraçado por pessoas com os mesmos ideais que o seu e que por uma questão, talvez karmica, estão na mesma casa que você.

 

Ser filho de Umbanda é ser fiel aos princípios ensinados pelas entidades, pelos irmãos, pais ou mães de santo. É ser umbandista 24 horas por dia, sete dias por semana. E não apenas uma vez por semana durantes as giras.

 

Ser filho de Umbanda é fazer da caridade um objetivo de vida, e não praticá-la para não ser castigado ou então para não parecer feio perante a sociedade. A caridade tem que vir do fundo do coração. Tem que ser um desejo incontrolável de ver o próximo bem. Com alimento, saúde, esperança e, o principal, amor. Pois caridade que é caridade é movida pelo amor ao próximo.

 

Ser filho de Umbanda é ser humilde. Abaixar a cabeça quando alguém grita e dar a outra face quando alguém te bate. Mas deve-se também lembrar que ser humilde, não é se deixar ser humilhado. Levantar a voz em defesa do irmão, do mais fraco, dos discriminados. É usar a voz não para humilhar, mas para elevar quem precisa.

 

Ser filho de Umbanda é ser amor. Amor com o amigo, com a família e com o conhecido. Mas é acima de tudo ser amor pelo inimigo, pelo desconhecido. É rezar por quem não gosta de você e pedir sempre a Deus por aquela pessoa em suas orações.

 

Ser filho de Umbanda é igualdade. Tratar todas pessoas como igual, independente de sua roupa, de sua carteira ou de sua aparência. É saber respeitar as diferenças que nos fazem tão iguais perante Deus. Pois Deus é plural. É uno e plural. É um para todos. É um no coração de cada um.

 

Ser filho de Umbanda é fé. Fé nos Orixás, manifestações do amor de Deus nas nossas vidas, fé nas entidades que trabalham com você e que te amparam na hora de dificuldade. É ter fé me você mesmo. É acreditar. Pois quem faz com amor, não faz errado. O errado vira certo.

 

Ser filho de Umbanda é trabalho. Responsabilidade. Compromisso. Quando você se torna filho de uma casa, assume um compromisso com ela e com a sua banda de trabalhar. Trabalhar pelo bem, pela evolução do próximo e pela sua.

 

Ser filho de Umbanda é ser filho de DEUS. É se sentir amado a cada dia de sua vida por alguém que você não pode ver, mas que você sente e que está sempre lá olhando por você e torcendo por sua alegria.

 

Ser filho de Umbanda é ser humano. Amar, errar, viver, aprender, trabalhar, lutar, acreditar, praticar.

 

Ser filho de Umbanda é ser sempre. E “apenas” ser.

 

Matheus Zanon Figueira

Centro Espiritualista Caboclo Pery – Niterói – RJ

Jornal Correio da Umbanda – Julho 2006

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