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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Eu não escolhi a Umbanda, ela que me escolheu...



Estranha essa tal “Espiritualidade”....
Estranho como ela cuida de tudo, na hora certa, como se fosse tudo exatamente programado.
Nunca na minha juventude ou infância freqüentei os Terreiros de Umbanda que minha família freqüentava...Porque será??
Sempre vi minha família se dedicar a Umbanda, sempre escutei as historias que minha mãe contava, mas nunca me vi nessa situação.
Mesmo depois que minha Mãe abriu o Terreiro, não acompanhava não me interessava.
Comecei a ir ao Terreiro “empurrado” .
Ia as sextas, rapidinho para que acabasse logo, morria de medo de ver o “JOAO CAVEIRA”.
Pois bem, as visitas ao centro nas sextas foram se arrastando dessa forma por 2 anos. Nesses 2 anos a Vó sempre me convidava a participar dos trabalhos, dizia que eu tinha uma missão junto com ela.
Um belo dia, chegando do serviço, passei na casa de minha mãe, e fiquei sabendo que ela iria fechar o centro..que estava cansada, esgotada.
Por mim tudo bem , pensava, deve ser mesmo cansativo estar a anos nessa correria.
Mas ai começa a tal da “Espiritualidade” a agir, nessa época o centro ficava no fundo da casa dela, e eu nem sei por que fui ate La,e sem eu entender oque se passava, meu Mentor e querido Pai Thomas, incorporou em mim pela primeira vez, diga-se de passagem que foi totalmente diferente a forma com que ele incorporou, de tudo que eu já tinha visto antes, bem leve, sem tremedeiras,pulos..isso me deu uma confiança e tranqüilidade enorme em ficar ali aguardando os próximos passos.
Oque aconteceu a seguir foi que minha Mãe chegou do serviço, lógico se espantou com a cena, mas conversaram , oque eu não me lembro, mas ficou resolvido que o centro continuaria.
Mas e eu ? Oque faria agora?
Falei com a Vó Benedita na sexta, e ficamos combinados, alias ela combinou, que na Sexta Feira Santa eu entraria na corrente para cambona-la, e assim aconteceu, mais natural do que eu podia imaginar.
Isso mostra que na hora que a Umbanda precisou de mim ela me chamou, a hora era essa incerteza de fechar ou continuar o centro.
Então eu na hora certo fui escolhido pela primeira vez pela Umbanda para trabalhar como mais um soldado em suas linhas.
Depois de 5 anos, trabalhando e aprendendo a cada dia no centro, outra vez a “Espiritualidade” se mostra planejada e correta.
Em outro momento de incerteza no centro...continua ou baixa a porta, eu estava na estrada, e uma voz, uma intuição me veio a cabeça, ainda não sei se era a Vó Benetida ou Pai Thomas, essa intuição me perguntava:
- Você sabe que vai tocar o terreiro logo não é?
E nem sei por que respondi: Sim eu sei...
- Você ta preparado?
- Não sei...mas gostaria de fazer algumas mudanças para adequar ao meu jeito, não que hoje esteja errado, mas é meu jeito..
Estranho que não tive resposta na hora...
Depois de exatos 4 meses, no mesmo dia que entrei no terreiro,Sexta Feira Santa estava abrindo pela primeira vez os Trabalhos.
E a resposta que não tive nas intuições estou tendo a cada trabalho a cada filho novo e a cada pessoa que sai alivada de nossos trabalhos.
Isso mostra que não precisamos ter pressa,nos afobar..apenas esperar a hora certa...
Joãozinho Galerani

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