Horários De Atendimento

Segundas - 20 Hs - Mãe Ana e Pai Afonso.
Quartas - 20 Hs - Mãe Hosana e Pai Ney.
Quintas - 20 Hs - Mãe Gislaine e Pai Afonso.
Sextas --- 20 Hs - Mãe Sueli e Pai Joãozinho.
Sábados - 19 Hs - Mãe Sueli e Pai Joãozinho.

Primeira Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira de Desenvolvimento.
Segunda Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira da Corrente do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
Terceira Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira de Desenvolvimento.
Quarta Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira Cigana.
Quinta Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira Fechada.

Primeiro Sábado do mês - 15 Hs - Jardins de Aruanda.

Endereço - Rua Meciaçu 145 Vila Ipê - Campinas SP.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Velas da Umbanda suas cores e como acender


A vela é, com certeza, um dos símbolos mais representativos da Umbanda. Ela está presente no Congá, nos Pontos Riscados, nas oferendas e em quase todos os trabalhos de magia; Quando um umbandista acende uma vela, mal sabe que está abrindo para sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente consciente nem sonha com a força de seus poderes mentais;A vela funciona na mente das pessoas como um código mental. Os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na verdade, a fogueira interior de cada um, despertando a lembrança de um passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo,tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas; A vela desperta nas pessoas que acreditam em sua força mágica uma forte sensação de poder. Ela funciona como uma alavanca psíquica, despertando os poderes extra-sensoriais em estado latente; Uma das várias razões da influência mística da vela na psique das pessoas é a sensação de que ela, através de sua chama, parece ter vida própria. Embora, na verdade, saibamos, através do ocultismo, que o fogo possui uma energia conhecida como espíritos do fogo ou salamandras.
Muitos umbandistas acendem velas para seus Guias de forma automática, num ritual mecânico, sem nenhuma concentração. É preciso muita concentração e respeito ao acender uma vela, pois a energia emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo e, juntas, irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da queima dessa vela; Sabemos que a vida gera calor e que a morte traz o frio. Sendo a chama da vela cheia de calor, ela tem um amplo sentido de vida, despertando nas pessoas a esperança, a fé e o amor; No ritual da magia, o mago entra em contato com seu mundo inconsciente, depositário de suas forças mentais, onde irão ser utilizadas para que alcancem seus propósitos iniciais. Qualquer pessoa que acender uma vela, com fé, está nesse momento realizando um ritual mágico e, conseqüentemente, está sendo um mago; Se uma pessoa suas forças mentais com a ajuda da magia das velas, no sentido de ajudar alguém, irá receber em troca uma energia positiva; mas, se inverter o fluxo das energias psíquicas, utilizando-as para prejudicar qualquer pessoa, o retorno será infalível, e as energias de retorno são sempre mais fortes, pois voltam acrescidas da energia de quem as recebeu; As pessoas que utilizam a força da magia das velas – que, na realidade, despertam as forças interiores de cada um – com propósito maléficos, não são consideradas magos, mas feiticeiros ou bruxos. Infeliz daquele que, na ânsia de destruir seus inimigos, acendem velas com formatos de sapo, de diabo, de caveira, de caixão, etc., assumindo um terrível compromisso cármico com os senhores do destino. Todos os nossos pensamentos, palavras e atos estão sendo gravados na memória do infinito, ninguém fica impune junto à justiça divina. Voltaremos ao planeta Terra quantas encarnações for preciso para expiar nossas dívidas com o passado. Por outro lado, feliz daquele que lembra de acender uma vela com o coração cheio de amor para o anjo da guarda de seu inimigo, perdoando-o por sua insensatez, pois irá criar ao seu redor um campo vibratório de harmonia cósmica, elevando suas vibrações superiores; Ao acender velas para as almas, para o anjo da guarda, os pretos velhos, caboclos, para a firmeza de pontos, Conga, para um santo de sua preferência ou como oferenda aos Orixás, é importante que o umbandista saiba que a vela é muito mais para quem acende do que para quem está sendo acesa, tendo a mesma conotação do provérbio popular que diz: A mão de quem dá uma flor, fica mais perfumada do que a de quem a recebe; A intenção de acender uma vela gera uma energia mental no cérebro da pessoa. Essa energia é que a entidade espiritual irá captar em seu campo vibratório. Assim, a quantidade de velas não influirá no valor do trabalho; a influencia se fará diretamente na mente da pessoa que está acendendo as velas, no sentido de aumentar ou não o grau da intenção. Desta forma, é inútil acreditar que podemos comprar favores de uma entidade negociando com uma maior ou menor de velas acesas. Os espíritos captam em primeiro lugar as vibrações de nossos sentimentos, quer acendamos velas ou não. Daí ser melhor ouvir uma das máximas de Jesus que diz: “Antes de fazer sua oferenda, procure conciliar-se com seu irmão.”
Não é conveniente, ao encontrar uma vela acesa no portão do cemitério, nas encruzilhadas, embaixo de uma arvore, ao lado de uma oferenda, apaga-la por brincadeira ou por outra razão. Devemos respeitar a fé das pessoas. Quem assim o cometer, deve ter em mente, que poderá acarretar sérios problemas com esta atitude, de ordem espiritual.
Precisamos respeitar o sentimento de religiosidade das pessoas, principalmente quando acender uma vela faz parte desse sentimento. Se acender uma vela a pessoa tiver um forte poder de magnetização, torna-se mais perigoso apagar a vela. Mas, se ela não estiver magnetizada, fica a critério de cada um.

VELAS QUEBRADAS OU USADAS
Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande preocupação com o uso de velas virgens, ou que não estejam quebradas. A principio, pensei tratar-se de mera supertição, mas depois compreendi que a vela virgem estava isenta da magnetização de uma vela usada anteriormente evitando assim um choque de energias, que geralmente anula o efeito do trabalho de magia. Somente no caso da vela quebrada encontrei um componente supersticioso: psicologicamente, a pessoa acredita que um trabalho perfeito precisa de instrumentos perfeitos. Se o trabalho obtiver sucesso, o detalhe da vela quebrada não será notado: mas, se falhar, será tido como principal fator de seu fracasso o fato de a vela estar quebrada.

FÓSFORO OU ISQUEIRO
Em muitos Terreiros existe uma recomendação para só se acenderem velas com palitos de fósforos, evitando acendê-las com isqueiro ou em outra vela acesa.
Normalmente, os Terreiros fazem uso de pólvora, chamada de fundanga, nos trabalhos de descarrego. O enxofre que a pólvora contém também está presente nos palitos de fósforo. Ao entrar em combustão, a chama repentina, dentro de um ambiente místico, provoca uma reação psicológica muito eficiente, além de alterar momentaneamente a atmosfera ao seu redor, devido à sua composição química, em contato com o ar. A mente do médium capta essas vibrações, que funciona como um comando mental, autorizando-a a aumentar seu próprio campo vibratório, promovendo desta forma uma limpeza psíquica no ambiente. Não é a pólvora que faz a limpeza, mas a mente do médium, se ele conseguir ativa-la para este fim.

VELA DE SETE DIAS
Na Umbanda, alguns médiuns ficam em dúvida sobre se a vela de sete dias tem a mesma eficiência de sete velas normais. Sabemos de acordo com a psicologia, que um comportamento pode ser modificado através do reforço. No fato de se acender uma vela isoladamente não há nenhum tipo de reforço que se baseia na repetição. Assim, ao acender uma vela durante sete dias, as pessoas são reforçadas diariamente em sua fé e, repetindo os pedidos, dentro desse ritual de magia, ficam realmente com maiores probabilidades de despertar a própria mente e alcançar os seus propósitos. Na prática, constamos que dificilmente uma vela de sete dias queima durante todo esse tempo.

MEDITAÇÃO
Para trabalhos de meditação o uso das velas é excelente pois, além da diminuição dos estímulos visuais na semi-escuridão, força a atenção para a chama da vela, aumentando a capacidade de concentração. O contraste do claro-escuro contribui para lembrar as pessoas da necessidade de uma iluminação interior.

CORES E QUANTIDADE
Na Umbanda, o uso da vela branca é o mais freqüente, devido à sua representação como símbolo da pureza. A cor branca na Umbanda é a cor do Orixá Oxalá. Daí a razão do uso de velas brancas na maioria dos rituais de magia, dentro da associação da pureza/Oxalá.
O Orixá Ogum, tido como senhor das guerras, tem uma vibração muito forte. As velas vermelhas, quando acesas dentro de seu ritual, vibram na mesma freqüência, com resultados mais favoráveis. Considerando que a força da vela está mais na força mental do mago, a cor irá concorrer com o sentido de favorecer sua capacidade de concentração, devido a conjugação de freqüências idênticas. Se houver uma inversão nas cores das velas, isso poderá ou não alterar o resultado dos trabalhos de magia, pois dependerá em grande parte da força mental do mago.
Ficou estabelecida que a cor amarela, que deriva da vermelha, é a cor do Orixá Iansã, também pelo fato de ser uma energia de luta. As velas acesas para Iansã deverão ser da cor amarela, para continuar em sua freqüência vibratória. A variação de quantidade de velas deve ser a mesma que se acende para qualquer outro Orixá ou Entidade, de acordo com os objetivos da magia. Todavia, o umbandista deverá ter o cuidado de acender sempre em numero impar de velas, pois no ocultismo os números ímpares não se anulam, por terminarem sempre em um; daí sua força mágica, por não ser um numero divisível.
Acender apenas uma vela tem o sentido de unidade, de unificação. Três velas representam na mente humana a trindade divina (Pai, Filho e Espírito Santo). Cinco velas representam em nosso inconsciente coletivo o próprio homem. Sete velas significam a junção do espiritual (3) com o material (4), ou simbolizam a união entre o microcosmo (homem) e o macrocosmo (Deus), e assim por diante.
A cor azul, com sua vibração serena, vibra na mesma freqüência do Orixá Oxum, a senhora das águas doces. A vela de cor azul tanto pode ser acesa para Oxum como para Iemanjá, que aceita em seu ritual velas brancas. Por isso alguns Terreiros preferem usar as velas bicolores, nas cores azul e branca, para Iemanjá.
Estabeleceu-se a cor marrom-ocre é a cor do Orixá Xangô, levando-se em consideração a neutralidade dessa mesma cor. A energia de Xangô emana dos minerais, que possuem uma variedade muito grande de cores. Curiosamente, prevaleceu a cor mais freqüente, que a das pedras sobre a superfície da terra.
A cor verde, por seu equilíbrio vibratório, obtido pela junção das cores amarela e azul, vibra na freqüência do Orixá Oxossi, o senhor das matas. Assim, uma vela de cor verde, acesa numa mata, que tem a cor verde, possui uma força vibratória muito forte, facilitando o trabalho de magia.
A cor rosa, com sua vibração cheia de vida, vibra na freqüência da energia da falange dos espíritos das crianças, conhecidas também como Ibejis. Velas bicolores, nas cores azul e rosa, são acesas também com o mesmo resultado das velas cor-de-rosa.
A vela de cor preta, com sua vibração pesada, simboliza a morte física e tem a mesma freqüência do Orixá Omulu, o senhor da calunga ou do cemitério. Essa cor de vela jamais deve ser utilizada, pois sua freqüência é altamente negativa, o que usamos é a vela bicolor amarelo e preta.
As velas bicolores, nas cores vermelha e preta, são utilizadas para os Exús. Devem ser acesas com muita cautela e de preferência por quem conhece os segredos da magia, ou seja, por quem conhece a “mironga”. A vela vermelha e preta, quando está queimando a cor vermelha, tem o sentido de luta; quando esta queimando a cor preta significa vitória sobre o objetivo proposto inicialmente.
As velas bicolores, nas cores branca e preta, são utilizadas nos trabalhos de magia dos Pretos Velhos e devem ser usadas sob a orientação direta dos próprios Pretos Velhos.
Para os trabalhos de alta magia, recomenda-se o uso de velas de cera, por sua constância e pela força de sua chama. É a vela ideal para as cerimônias de batismo das crianças, onde elas serão amenizadas do carma de seus inimigos de vidas passadas.

Anjo da Guarda – branca
Baiano – branca
Boiadeiro – branca
Caboclo de Ogum – bicolor branca e vermelha ou vermelha
Caboclo de Oxóssi – verde
Caboclo de Xangô – marrom
Caboclas – bicolor branca e verde ou branca, verde
Criança – rosa ou bicolor azul e rosa
Exú – bicolor preta e vermelha
Iansã – laranja
Iemanjá – azul claro ou branca
Marinheiro – bicolor branca e azul, ou branca, azul
Nanã – lilás
Obaluayê (Omulu) – branca e preta (amarela e preta)
Ogum – vermelha ou azul marinho
Ossãe – bicolor branca e verde
Oxalá – branca
Oxóssi – verde
Oxum – amarela ou azul anil
Pombo-Gira – vermelha
Pretas-Velhas – bicolor branca e preta, ou roxa
Pretos-Velhos – bicolor branca e preta
Xangô – marrom Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Publicidade no Site

Boa Tarde.

Fico impressionado com o descaso das pessoas com os Terreiros e Centros de Umbanda...

Todos buscam ajuda, informaçao ou mesmo uma palavra de ajuda....

Não posso aceitar que essas pessoas nao saibam como é complicado manter uma casa aberta principalmente na parte financeira.

Foi grande minha decepção com os acessos a publicidade no site, apenas um clique e ja estariam nos ajudando, hoje recebi um e-mail avisando que a conta de publicidade seria desativada em virtude do baixo numero de acesso....apenas um clique...mas...
O mês de maio tivemos cerca de 3.000 acessos ao site, e apenas 40 clicaram nos anuncios...

Cada vez sera mais dificil casas de Umbanda serias manterem as portas abertas....

Joao Galerani Jr.

sábado, 26 de março de 2011

A Conduta nos Templos Umbandistas

A Conduta nos Templos Umbandistas

Por Sandra Alves

O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em grande parte,

da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes.

Os templos umbandistas são locais sagrados, especialmente preparados para atividades espirituais,

e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo,

orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou o abrandamento de seus males,

ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática da caridade.

Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação,

não se deve dar a devida atenção e respeito aos trabalhos espirituais.

Conversas paralelas, algazarras, exibicionismos, bajulações, fofocas, má índole etc.,

atraem e “alimentam” os kiumbas desqualificados, que,

aproveitando-se das vibrações negativas emanadas por estas pessoas,

desarmonizam e quebram a esfera fluídica positiva,

comprometendo assim os trabalhos assistenciais.

Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao exercício da fé.

Infelizmente, alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns,

dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores.

Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência.

Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais,

tendo recorrido inclusive a médicos, sem êxito,

recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença.

Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso.

Devem, médiuns e assistentes,

observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem fluídos do bem.

Este procedimento tem como conseqüência à irmanação energética com os espíritos,

decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade.

O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo,

fruto da bondade e do merecimento de cada um.

A conduta reta e positiva deve ser a tônica em um templo umbandista,

para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração

de cada participante sementes de bondade, amor e proteção.

A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano,

rumo a concretização de seus desejos,

sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros em uma Casa de Umbanda.

sexta-feira, 18 de março de 2011

É criada Frente Parlamentar para impedir manifestações e ações discriminatórias

Meus amigos, vamos aguardar as novidades que os Parlamentares nos trarão.

São Paulo também já entrou na luta.

Sandra Santos

Deputados e Comunidades Negras em defesa de Terreiros

Evento marcou a criação da Frente Parlamentar para impedir manifestações e ações discriminatórias

17 de março de 2011 - Brasília - A fiscalização do poder executivo para a aplicação de políticas públicas propostas por Comunidades de Terreiro foi o principal tema discutido na última quarta-feira, dia 16, pela manhã, em Brasília, durante café da manhã entre deputados e representantes de comunidades negras. O evento marcou a criação da Frente Parlamentar em defesa das Comunidades Tradicionais de Terreiros, que tem como objetivo não apenas fiscalizar, mas impedir manifestações e ações discriminatórias contra as comunidades negras no Brasil.

Um dos idealizadores da frente, o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) disse que “é inadmissível nós termos esse tipo de discriminação com as Religiões de Matriz Africana em um país laico, onde conseguimos tantos avanços. Essa mobilização é a expressão maior que estamos reafirmando a nossa resistência”, avaliou o deputado. A representante do Ilê Axé Oyá Bagan, Mãe Baiana, afirmou que as entidades deverão estar mobilizadas e alertas contra as práticas discriminatórias. “Devemos ter o cuidado para que não volte como no tempo da escravidão, onde não podíamos cultuar os nossos santos”, alertou.

A criação da Frente Parlamentar foi uma demanda de organizações do movimento negro, entre os quais o Coletivo de Entidades Negras (CEN), e contou com o apoio dos deputados Valmir Assunção (PT-BA) e Érika Kokai (PT-DF). A frente terá o papel de promover ações em defesa das Religiões de Matriz Africana para a promoção da liberdade de culto e contra a intolerância religiosa, de modo que os Terreiros tenham o mesmo tratamento que outros Templos Religiosos.

Fonte: R2C Press

O Filósofo e o Preto Velho

O Filósofo e o Preto Velho

Texto do Jornal Nacional de Umbanda

www.jornaldeumbanda.com.br

Certo dia, um filósofo adentra a uma tenda de umbanda e senta-se no banquinho de um preto velho. Sua intenção era questionar, investigar; enfim, experimentar.

Ao se sentar, o preto velho já sabia o que ele queria, mas mesmo assim saudou-o gentilmente e perguntou em que poderia ajudar. O filósofo respondeu:

_ Meu preto velho, na era da biotecnologia vemos os cientistas avançarem cada vez mais nas pesquisas referentes à manipulação do material genético humano. Além disso, estamos na era do multiculturalismo, de forma tal que a diversidade, inclusive no sentido intelectual, se faz cada vez mais presente. Pergunto eu: _ o que pode um preto velho dizer sobre assuntos de tamanha complexidade?

Preto Velho, com toda sua calma, respondeu gentilmente ao filósofo:

Misin fio, vós suncê (Sic) tem palavra bonita na boca, por causa de que tu és homem letrado (Sic). Nego véio cá, num estudou nem escrevinhou essas coisa. Mas daqui do meu cantinho, aonde os ventos de Aruanda tocam em meus ouvidos, recebo as notícias que vem da Terra. Vejo também com meus próprios olhos e presencio as lágrimas e sorrisos que brotam como flores e espinhos no âmago de meus filhos.

Vou dizer a vós suncê uma coisa. Esse bicho chamado “biotecnologia”, eu sei muito bem como funciona. Misin fio, [bio] vem do grego “bios” = vida. “Téchne” e “Logos” também vem do grego, fio. Logo, biotecnologia é o conhecimento sobre as práticas (manipulação) referentes à vida.

Assim sendo, nego véio é a favor de tudo que respeita a vida e que é usado para o bem. O bem, não só de si mesmo, mas da humanidade. Uma faca pode ser uma ferramenta de cozinha e ajudar a preparar um alimento. No entanto, a mesma faca pode ser uma arma a machucar alguém. Não é a ferramenta, mas sim o que se faz com ela que torna perigosa a humanidade.

Pasmo, o intelectual não sabia o que dizer, tamanha sua surpresa sobre tão sábias palavras. E não só isto, o conhecimento até sobre a origem das expressões que vem do grego, aquela humilde entidade possuía.

Por alguns segundos sentiu um misto de inveja e indignação, uma vez que pensou ser mais conhecedor sobre as coisas da vida que o Preto Velho. Daí então indagou:

_ Você acha que suas opiniões podem superar a luz da ciência? Este, respondeu:

_ Fio, o que nego véio fala, nego véio comprova, pois este nego vivenciou. Caminhou na terra que vós suncê pisa hoje. Sorriu, chorou, se emocionou, amou. Conviveu com homens de bem e também com homens do mal. Fez suas escolhas e por isso é hoje um espírito guia. E só pude aqui chegar porque acertei na maioria das escolhas que fiz. Naquelas em que não acertei, tive que vivenciar novamente, até aprender. Assim como vós, na Terra.

Quanto aos estudos (risos), esse nego véio aqui não frequentou escola na última encarnação. Mas, das muitas encarnações que tive, eu estudei, me formei e, em algumas delas me doutorei. A medicina chinesa, a filosofia grega, a sabedoria hindu; tudo isso fez parte da minha evolução. Da matemática egípcia até os estudos astronômicos de Galileu pude aprender.

E depois de aprender tudo isso, sabe qual o maior ensinamento que obtive misin fio?!

A ter h –u- m- i- l- d- a- d- e.

Por isto, doutor, vós me vês na aparência de um velho escravo brasileiro,

semeador das raízes deste lindo país chamado Brasil, terra da diversidade, da multi culturalidade.

Que cada um formule a sua moral da história.

Porém, questione seus conhecimentos e veja se estão alinhados com os propósitos de simplicidade.

Pois sem ela, não se faz jus a benção do saber.

A Umbanda é Cristã? O Umbandista é Cristão? Uma visão particular e pessoal

Olá meus irmãos, faço parte de umas 5 ou 6 listas de debates sobre Umbanda.

Tenho uma grande dificuldade em ler todos os e-mails que chegam por aqui.

Tenho na caixa postal centenas de e-mails não respondidos, por não dar conta de

Tudo que chega. No entanto fiz a proposta, nas listas virtuais, de apresentar

Nossas opiniões sobre o assunto Cristianismo e Umbanda.

Coloco abaixo minha reflexão sobre o assunto com passagens das

Colocações de outros irmãos, espero que tenham uma boa leitura.

Alexandre Cumino

A Umbanda é Cristã? O Umbandista é Cristão?

Uma visão particular e pessoal

Por Alexandre Cumino

Tenho certa dificuldade em ler tudo que chega por aqui, mas como fiz esta proposta, fiz questão de ler todos os e-mails sobre este tema. Se agente conseguisse ter assuntos que interessam a todos ou a maioria e cada um colocasse sua opinião creio que alcançaríamos os antigos e primeiros objetivos de todas as listas (de debates sobre Umbanda). Muito mais, cada um de nós carrega ensinamentos preciosos colhidos junto á espiritualidade de forma direta e outros por dedicação e estudo as religiões de forma geral e a Umbanda de forma específica.

Irmãos (a) Etiene, Arnaldo, Marcia, Sandro, Fabio, Alexandre, André, Edmundo, Douglas, Claudio, Erci, Cristina, Solano, Ciganinha, Victor, Ayrton, Eduardo, Marcus, Edson, Uilson... desculpe se esqueci alguém, a opinião de todos é muito imprtante, mesmo que pareça contraditória vamos aprendendo uns com os outros e vendo que em muito a verdade de um complementa a do outro e viceversa... Fiquei muito contente em ler tantas reflexões sobre a questão, Cristianismo e Umbanda, que inclusive nos faz lembrar quantos “umbandistas” se consideram católicos, espíritas ou afro-brasileiros...

A pergunta é genérica, se na “Umbanda” como um todo, em sua unidade, somos cristãos. Pois nas partes (Umbanda Branca, Pura, Tradicional, Popular, Esotérica, Eclética, Omolocô...) muitos já vem procurando definir o que sua “linha” ou “linharem” crê e defende. Creio que no geral, na Umbanda como um todo sempre teremos controvérsias, do ponto de vista “teológico”, de dentro, da doutrina de cada casa. Afinal “cada terreiro é uma escola”, produz conhecimento e valores seguidos por seus médiuns, alguns recebidos de forma direta da espiritualidade na presença dos guias-mentores da espiritualidade; as vezes absorvendo mais ou menos o que é e foi colocado por outros pensadores, médiuns e guias na religião, desde sua origem no plano material.

Tecnicamente as religiões Cristãs são aquelas que têm Cristo no ponto central e no alto de seu culto, assim é com as diversas nominações cristãs, dos antigos e primeiros grupos formados pelos apóstolos (judeus-cristãos) que seguiam a Cristo, passando pela Primeira Grande Instituição organizada e hierarquizada (Igreja Catolica), depois Ortodoxa, Luteranismo, Calvinismo etc. até chegar aos recentes neo-pentecostais.

Por esta questão de nomenclatura que, por exemplo e não como regra, Islã não se chama “Maometanismo” pois o Profeta Maomé (Mohamed) não está no centro da Religião e sim a “submissão”, sinônimo de Islã, no qual “muçulmano” quer dizer “submisso a Deus”. As “regras”, “código”, “doutrina” que regulam a tudo estão no “Corão” ou “Alcorão”.

Espiritismo não se chama “Kardecismo” por que não é Kardec e sim o ensinamento dos Espíritos que está no centro da doutrina. “Budismo” é um termo usado para definir o conjunto de filosofias, doutrinas, ritos e “religiões” que nasceram das diversas interpretações da mensagem de Sidharta Gautama, “Um Budha” (Um Iluminado). No entanto setes seguimentos “budistas” se auto definem como Hinayana, Mahayana, Zen, Chan e outras vertentes generalizadas como Budismo. Geralmente no centro do Budismo estão as quatro nobres verdades e não a figura do “Budha”, mas todos sabem que Ele é o principio da doutrina e o modelo de iluminação. Assim nenhum Budista se chateia quando é chamado de budista, ao contrario de um espirita que “ortodoxamente” não aceita a definição de “kardecista”. Embora sejam “espíritas” Chico Xavier costumava se definir como “Espírita Cristão”, fazendo valer o “Evangelho Segundo Espiritismo” como um dos cinco livros do Código Espirita, organizado por Kardec, como bem lembrou o irmão Etiene Sales.

A pergunta foi proposta na internet e pudemos observar várias respostas diferentes, umas buscando definições técnicas, outras falando de seu coração e terceiros com certa dificuldade em separar “Cristianismo” de “Catolicismo”.

Algumas respostas foram bem diretas e de alguma forma me tocaram e gostaria de revê-las, penas por exercício de reflexão comparada e análise dos valores de cada um.

Uma das primeiras respostas veio no Irmão Etiene Sales:

Vou dar um palpite naquilo que faço como Umbanda, mas já preparado para as madeiras e pregos. rss.
A Umbanda é um conjunto de diversas crenças e pode existir um aglomerado que em si se coloca como Cristão, mas na sua totalidade acredito que não. A Cristandade tem como fonte de doutrina a Bíblia e as palavras que lá se encontram...

Edmundo Pellizari, também deu uma contribuição, técnica, neste mesmo sentido:

Logo, teologicamente falando, o umbandista não é cristão. O umbandista é umbandista. E como umbandista, ele pode ter crenças religiosas cristãs, budistas, hinduistas ou yorubás. Tudo isso sem culpa ! Não existe necessidade de usar o cristianismo por tradição, cultura ou porque é politicamente correto !...

Também achei interessante a resposta do irmão Douglas Sanches:

O Umbandista é Cristão? A princípio não. Mas pode ser.
Você é Cristão? Não.

Sandro Mattos da Apeu tem um texto sobre a questão, lembra as palavras de Zélio e pontos de Umbanda que falam sobre Cristo, também faz uma pergunta, que não quer calar e fecha com o sincretismo:

Se a Umbanda não é uma religião baseada nos ditames cristãos, porque então os umbandistas continuam com a imagem de Cristo no local mais alto do Congá? Afinal de contas não existe mais feitor, sinhozinho ou capitão-do-mato...

Que o Mestre Jesus Cristo, chamado carinhosamente por nós de Pai Oxalá, nos cubra com Vosso Manto Sagrado...

Ciganinha, que segue a linha do Caboclo das Sete Encruzilhadas, fala de dentro desta visão tradicional:

O Umbandista é Cristão? Pelo menos uma das linhas, a do Caboclo das Sete Encruzilhadas, sim. O Caboclo era cristão.
Você é Cristão? Sou. Porquê? Algumas coisas não têm explicação. Sou porque sou...

Pai Solano e Mãe Maria afirmam:

Não devemos confundir o ser cristão com o ser católico, reformador, pentecostal ou qualquer outra confissão de fé.

Gostei muito das palavras de Eduardo Dutra, que considerou o assunto “relevante e oportuno”:

Minha resposta, então, vai no sentido de que a Umbanda é uma religião diferente daquelas que se designam como cristãs, mas que nós umbandistas, sob muitos aspectos vivenciamos princípios morais que nos foram transmitidos pelo cristianismo....

Marcus Vinicius é bem direto em sua opinião e conceito pessoal:

De acordo com as minhas convicções, Cristão não é só quem é católico ou evangélico.

Ser Cristão significa crer em Deus e em Jesus e procurar seguir seus ensinamentos.

Ao que me consta, Deus corresponde ao Orixá Olorum e Jesus, ao Orixá Oxalá. Portanto, nós, Umbandistas somos Critãos, ou seja, Cristãos Umbandistas.

O irmão Edson Balan, fez um pedido e uma proposta, no meu entender:

Peço aos irmãos que organizem convenções onde possam cada um defender sua teses, fortalecendo-as

Buscando inicialmente eco concordatário em todo o nosso meio para depois se expor a mídia um parecer

Que se possa dizer “ Nós Umbandistas pensamos assim “ .

Foram muitos e-mails enviados sobre o assunto, se Umbanda é Cristã e se “você” é cristão.

Eu também tenho uma opinião, quando perguntam minha religião a resposta é sempre a mesma, pronta, “Umbanda”, sou “Umbandista”, sem corruptelas, qualificativos ou distinções. Apenas “Umbanda” e tenho orgulho de ser Umbandista. Ainda assim tenho uma formação Espirita, de berço, na qual aprendi a me sentir cristão, e quando entrei para a Umbanda, este sentimento não mudou, pelo contrário se reforçou e evidenciou. Um dos guias que me assistem costuma dizer que “A imagem de Cristo, de Jesus, não é enfeite”, outra entidade afirma: “Poder é Deus, Força é Perdão e Exemplo é Cristo”. Nossos pretos velhos “usam” nomes de “batismo católico”, João, Antônio, Pedro, Benedito...

Assim sou Umbandista e me sinto “cristão”, mas da mesma forma me sinto “naturista” pela influencia dos caboclos, “panenteista” pela influencia do Culto aos Orixás, me sinto até um pouco “Católico” (mas não católico como denominação) pela presença de santos essencialmente católicos como São Jorge, Nossa Senhora, São Jerônimo... Me sinto tão cristão quanto afro, indígena ou espirita por suas influencias... mas não sou “Cristão”, posso até ser “Umbandista Cristão” ou “Cristão Umbandista” e a Umbanda, na minha opinião, é tão cristã quanto nagô, bantu (afro), tupi, guarani (indígena), mística, esotérica, espirita, ocultista, mágica... etc.

Mas que Cristo está tão presente aqui quanto em qualquer religião é uma verdade, de meu ponto de vista, tanto quanto estão presentes, os Orixás e as Forças da Natureza e os Mestres Ascencionados... O que nos difere é que Umbanda tem uma linguagem própria para apresentar seus fundamentos, pois é uma RELIGIÃO, e como tal existe por si só, embora, como todas as outras bebeu em fundamentos alheios até criar os seus próprios fundamentos.

Um grande abraço á todos...

Alê Cumino

terça-feira, 8 de março de 2011

PAI JAÚ


Olá irmãos

Que a paz de Oxalá esteja com todos

Irmãos hoje falamos do maior pai de santo da Umbanda, sem dúvida um exemplo, nosso querido Pai Jaú.

"Um apelido como qualquer outro" era a resposta que Euclides Barbosa dava quando lhe perguntavam de onde ou do que havia surgido o apelido Jaú.

Evitava falar de sua vida e das mulheres que sempre povoaram sua existência de alegrias e muitos dissabores. Apenas dizia que, como filho de Ogum, estava seguindo à risca os ensinamentos de seu pai.

De fato, o cidadão Euclides Barbosa, que ficou conhecido como Jaú, sempre foi um líder, desbravando territórios que ainda não haviam sido tocados por nenhum outro brasileiro.

Sua espiritualidade, como a de todos os seres que são contemplados com este tipo de missão, surgiu nos primeiros anos de sua vida, mas a visita a algumas benzedeiras da época retardou a explosão espiritual, que se deu após encerrar sua brilhante carreira como jogador de futebol.

"Sou uma pessoa que tem três pesos e três medidas: sou da raça negra, umbandista e corintiano."

Sábias palavras de quem tinha um parco conhecimento das letras, mas um infinito instinto de sobrevivência e de garra para não se deixar derrubar por nada neste mundo.

Suas façanhas no futebol foram cantadas em versos e prosa; a mais conhecida foi um jogo de vida e morte do "Coringão".

Jaú, em uma dividida de bola, acabou tendo um ferimento grave na cabeça. Sua presença era essencial para que o time conseguisse vencer o adversário.

Foi nesse instante que recebeu, pela primeira vez, uma mensagem espiritual, e a levou a sério.

Jaú estava deitado na maca, fora das linhas do campo, o médico dizendo ao técnico que ele não poderia voltar ao jogo, pois o sangue não parava de jorrar e, provavelmente, ele havia sofrido uma concusão cerebral; somente um milagre faria com que ele se levantasse. Quando olharam para o lado, Jaú estava de joelhos, olhando para o infinito, como se estivesse ouvindo instruções, e passou a mão no gramado, arrancou um chumaço de grama, colocou no ferimento, e, ainda seguindo as instruções, enfaixou a cabeça. Depois, solenemente encostou a testa na terra e levantou-se, como que impulsionado por uma mola, entrando vitorioso no campo, sob os aplausos da torcida e a perplexidade do médico e do técnico.

Mais tarde, este gesto de tocar o solo do gramado com a testa passou a ser marca registrada do grande jogador e tinha tanta influência entre os colegas que ninguém se atrevia a colocar os pés no gramado sem que houvesse o toque da sorte, como passou a ser conhecido.

Quando Jaú pendurou as chuteiras e passou a dedicar-se inteiramente à sua missão religiosa, teve realmente de ter o mesmo espírito de luta que sempre lhe acompanhou nas disputas espor­tivas.

Sua religião era mais discriminada do que ser da raça negra ou então ser corintiano.

Mesmo sem jogar, continuou fazendo, no Pacaembu, toda a vez que o timão fosse jogar, suas "mandingas" no campo para dar sorte aos jogadores.

O radialista Estevam Sangirardi imortalizou a figura de Jaú nos programas que eram apresentados após cada jogo e ninguém reclamava, pois realmente era uma homenagem merecida ao grande guerreiro.

Na religião, não teve tanto reconhecimento, ao contrário, foi o mais discriminado, o mais criticado e o mais perseguido pela polícia, que juntava a bronca de Jaú ter sido grande jogador corintiano com o fato de sua magia ainda ajudar nas grandes partidas.

Foi preso diversas vezes, sob alegação de estar praticando feitiçarias. Passou por muitas torturas, como ficar horas ajoelhado no milho; dias e noites sem comer, recebendo apenas goles de água. "Se ele recebe mesmo espíritos, não precisa comer nem beber", satirizavam os carrascos. Por fim, acabavam libertando-o, pois os filhos-de-santo se aglomeravam defronte à delegacia e, cantando pontos de Umbanda, pediam a libertação de Pai Jaú.

Uma das torturas mais cruéis ocorreu quando o Timão estava disputando uma final e Pai Jaú, ao acabar de fazer sua mandinga de sorte, disse ao técnico que o zagueiro deveria ficar mais solto, pois o gol da vitória estaria em seus pés. Não deu outra e o Timão foi campeão daquele ano. Não mencionaremos o nome do time adversário para não causar constrangimento, pois temos certeza de que o ato praticado por alguns indivíduos não era a vontade de todos os torcedores.

A noite, Pai Jaú estava fazendo seu trabalho espiritual, quando seu pequeno terreiro foi invadido por policiais, que alegaram ter recebido uma denúncia de que no local estavam promovendo uma orgia pela vitória do Timão. Pai Jaú foi arrastado para o camburão e levado para a delegacia, não na mesma de sempre, o que dificultou aos filhos localizarem prontamente e pedirem sua soltura.

Até que fosse encontrado, na noite seguinte, Pai Jaú passou pela humilhação de ficar no "pau-de-arara", levando choques e foi jogado entre marginais de outros times, que o espancaram.

Não satisfeitos, os policiais separaram dez palitos de fósforo, fizeram pontas bem finas e enfiaram, bem devagarzinho, entre as unhas das mãos de Pai Jaú, que nesse momento invocou a proteção do Sr. Ogum.

Foi atendido; quando os carrascos acenderam os palitos, ele começou a ver, nas chamas, uma espécie de luz, formando uma figura de índio. De seus olhos escorreram lágrimas, não de dor e sim de pena daqueles sujeitos que acharam que estavam lhe fazendo um grande mal. Estavam lhe proporcionando passar por um grande milagre espiritual.

Os policiais foram afastados a bem do serviço e nunca mais Pai Jaú foi perseguido pela polícia.

Até os 82 anos, idade em que faleceu, Pai Jaú atendia pessoas todas as quartas-feiras. Todos admiravam seu caboclo, pois sempre vinha do mesmo jeito, independente da idade ou da saúde do velho guerreiro. Na incorporação, seu corpo estirado se elevava mais de um metro do chão e, ao tocar no solo, o caboclo batia a cabeça no chão, no gesto característico do grande Decano.

Como já aconteceu com muitos sacerdotes, por não deixar por escrito sua vontade, após sua morte, no que diz respeito a cerimônia e legados, Pai Jaú sofreu a discriminação e o desrespeito. Seus filhos-de-santo não puderam fazer nada, pois a família, com exceção de seu filho Jair, que nunca havia participado de sua vida, proibiu qualquer cerimonial umbandista e, no dia seguinte ao enterro, sua filha evangélica desmontou o congá, jogou tudo na rua e colocou fogo, sob os olhos atônitos dos vizinhos, que não puderam ou não quiseram interferir.

Terminava assim a trajetória de um homem que honrou seu tempo, seus amigos e seus filhos espirituais, mas que recebeu muito pouco ou quase nada em troca, a não ser sua própria luz na eternidade.

Exu na Quaresma


Mensagem por Mauricio D'Ogum em Sex 12 Mar 2010, 20:21

É importante entender que a quaresma é um período Cristão, eles acreditam que neste período os espíritos do baixo astral estão a solta para nos tentar e até terem oportunidade para regenerar.
Por isto, entendemos que nesta época os espíritos sem luz soltos, graças às crendices da legião cristã, se aproveitam desta situação para perturbar as pessoas e influencia las ainda mais em suas vidas.

Realmente é lamentável o comportamento e pratica de alguns Umbandistas, que por falta de estudos e melhor desenvolvimento de suas qualidades mediúnicas, acreditam que neste período não podem e não devem trabalhar com os Exus.

A imagem pejorativa de Exu-diabo, simbolizada por figuras grotescas, com chifres, rabos, pés de bode, tridentes, sendo tal imagem do mal, foi erroneamente absorvida e difundida por alguns umbandistas.

Lamentável, pois tal postura e comportamento somente fundamenta as comparações erradas que EXU seja a manifestação do diabo, demônio e tudo que esteja ligado às coisas do mal.

Em realidade os Exus constituem-se em uma notável falange de abnegados espíritos combatentes de nossa Umbanda. Para nós, são os mais dedicados e devotas servos de Deus.

São hierarquicamente organizados e realizam tarefas atinentes à sua faixa vibratória. São os elementos de execução e auxiliares dos Orixás, Guias e Protetores, tendo, entre outras tarefas, a de serem as sentinelas das casas de Umbanda, de policiarem o baixo astral e anularem trabalhos de baixa magia.

Ao contrário do que pensam e declaram algumas pessoas, (eles) têm noção exata de Bem e Mal. São justos, ajudando a cada um, conforme merecimento e as ordens superiores aquele que a ele pede auxílio.

São os Exus que freiam as ações malévolas dos Obsessores, que atormentam os humanos no dia-a-dia. E nos protegem para conquistarmos ou preservamos o que é nosso por merecimento.

É os vigilantes ostensivos, a tropa de choque que está alerta contra os kiumbas, prendendo-os e encaminhando-os às Colônias de Regeneração ou Prisões Astrais. Por conta disto, que em tudo e para tudo, sua força e presença são invocadas em primeiro plano.

Em algumas ocasiões é comum ver manifestações em templos de Umbanda e principalmente em templos de outras religiões, espíritos que tumultuam o ambiente, promovendo espetáculos circenses, galhofas, e se comportando de maneira deselegante para com os presentes, xingando-os e proferindo palavras de baixo calão, se dizendo ser Exus.

Tal Comportamento não deve ser imputado aos Exus, e sim aos Kiumbas, perturbadores, obsessores e espíritos moralmente atrofiados e que ainda não compreenderam a imutável Lei de Evolução, apegados que estão aos vícios, desejos e sentimentos humanos.

Estes Kiumbas,obsessores e etc., para penetrarem nos terreiros, fingem ser Caboclos, Preto-Velhos, Exus, Crianças etc., cabendo ao Guia-chefe da Casa estar sempre vigilante ante a determinada conduta, como palavrões, exibições bizarras, ameaças etc.

A que ponto pode chegar à ignorância humana em visualizar estes seres espirituais como meros negociantes ilícitos, fazendo dos terreiros balcões de negócios, em total dissonância com o bom senso e a Lei Suprema. Exu não é marionete. Exu não é o diabo. Exu é símbolo de dinamismo, aperfeiçoamento espiritual constante.

É necessário que os Filhos de fé e simpatizantes entendam que é justamente no período da quaresma, quando pela mentalização e crendice, acabam por dar força e liberdade ao baixo astral que necessitamos da proteção, amparo e orientação de nossos Exus e Guardiões.

Não trabalhar ou se socorrer aos Exus no período da quaresma e dar oportunidade e estar a mercê da força do mal e de suas influencias negativas em nossas vidas. Neste período muitas pessoas se perdem e acabam por viver anos em volta a dificuldades e desencontros.

Procurem compreender, aprender e praticar melhor sua religiosidade, sem se deixar influenciar pela religiosidade e costumes religioso de outras religiões. Se você é Umbandista e freqüenta um templo que fecha neste período. É o mesmo acreditar que coisa ruim tira férias, que você não fica doente, que coisas ruins não vão te acontecer e muito mais.

Não deixe de cuidar da sua religiosidade e fique atendo a mudanças de comportamento, um verdadeiro umbandista não se presta e não permite que as influencia do mal o perturbem e muito menos deixa de praticar a caridade espiritual e religiosa por conta de tempo em sua vida.

O verdadeiro umbandista esta sempre atendo e a disposição de ajudar e amparar os irmãos de fé e amparar os espiritos perdidos.



extradido do site: WWW.SOMOSFILHOSDEORIXA.COM.BR

Umbanda e Quaresma


Dentre os vários compromissos que os verdadeiros Umbandistas devem ter para com a religião que abraçaram, estão os de esclarecerem, difundirem e enaltecerem os reais valores, bases e diretrizes de nossa Sagrada Umbanda. Desta forma, observações, avaliações e conceitos devem alcançar e modificar determinadas condutas que, embora habituais, têm como base preceitos estranhos a nossa religião.

Neste contexto, reportemo-nos, sucintamente ao ato litúrgico católico nominado Quaresma. A Quaresma e o próprio nome revela, é um período de 40 dias que tem início após as festas ditas profanas (carnaval), culminando no domingo de páscoa. Tem como finalidade, segundo os católicos, preparar o indivíduo, mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e a absorção de valores sagrados. Tal período litúrgico, afirmam alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio (Assembléia) Ecumênico de Nicéia, no ano 325.

Não obstante respeitarmos esta prática religiosa, própria dos católicos, devemos ter em mente que tal habitualidade pertence ao catolicismo, e não a Umbanda. E por quê então um número razoável de terreiros fecham suas portas, suspendendo as atividades espírito-caritativas durante este período?
1° Influência dos tempos de Catolicismo:- muitas pessoas que hoje são dirigentes Umbandistas, no passado professavam a religião católica. Converteram-se à Umbanda, mas esqueceram-se de deixar na antiga religião preceitos próprios da mesma.
2° Justificação para longas férias: - encontram no período católico da Quaresma o meio ideal de justificarem sua vontade particular de descanso, de deleites materiais, sem serem alvos de críticas por estarem suspendendo atividade de auxílio espiritual aos necessitados, uma vez que a maioria não sabe o que é quaresma.
Os Umbandistas, consoante o que foi mencionado, devem ter consciência e convicção de que os terreiros são verdadeiros pronto-socorros espirituais e jamais poderão fechar suas portas a médiuns e assistentes. Ou será que a tristeza, a frustração, as demandas, as doenças, e outras situações negativas deixam de afligir as pessoas durante a quaresma?
Sejamos sensatos. A Umbanda é religião cristã. É fato. Não significa, no entanto, que tenhamos de aplicar atos litúrgicos alienígenas à mesma.
Se os católicos são de opinião que a melhor forma de expiar suas faltas é jejuar e fazer penitência, ficando na última semana dos 40 dias a chorar o sofrimento de Jesus, bom para eles.
Nós umbandistas somos sabedores que o Meigo Nazareno não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtudes que pregou quando encarnado, como alicerces seguros para a evolução da humanidade.
Reverenciemos o Cristo da Galiléia com trabalhos espirituais, que não podem parar, pois que o socorro é sempre urgente. A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação.

Saravá Umbanda !!!

Texto extraído do site www.jornalumbandahoje.com.br


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