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sábado, 20 de novembro de 2010

Atos de respeito

O ato de "Bater a cabeça"

Antes da abertura dos trabalhos religiosos, os médiuns devem bater cabeça para os Orixás perante o Congá. Para isso, o médium deve posicionar-se de bruços e deitado em frente ao Congá, com as mãos no mesmo nível que a cabeça. Nesse momento, o ato de bater cabeça representa um ato de humildade, obediência e resignação aos preceitos religiosos da Umbanda.

Deve-se, em uma rápida prece mental, pedir a licença para trabalhar “neste chão” e pedir auxílio a Deus, aos Orixás e aos Guias espirituais, para um melhor desempenho de nossas funções mediúnicas, recebendo o axé dos Orixás donos deste Templo Sagrado.

Há outras circunstâncias em que se realiza o ato de bater cabeça. No momento de incorporação de um guia, um médium deve bater cabeça para a entidade, saudando-o e pedindo sua bênção.
Há momentos em que se bate cabeça para o Morubixaba do Terreiro em sinal de respeito (vale observar que o respeito ao seu “Pai de Santo” é fundamental e definitivo no caminho da espiritualidade, pois ele é o condutor de sua vida espiritual e religiosa).

Nossa religião é ritualística, então se no inicio batemos a cabeça para pedir licença, proteção e bons trabalhos, no final batemos a cabeça agradecendo pelos trabalhos e pedindo a proteção até a próxima gira.


Joelhos ao chão sim!

Dentro das várias ritualísticas que se desenvolvem nos terreiros de Umbanda é comum vermos, principalmente no início e término dos trabalhos espirituais, o corpo mediúnico com os joelhos no chão. Alguns veem esta postura como arcaica e sem sentido, porém, nunca se deram ao trabalho de analisarem detidamente tal comportamento.

É de conhecimento geral que as primeiras religiões do globo terrestre já inseriam a genuflexão em seus rituais como exteriorização de respeito junto ao Criador e também manifestação de humildade que todos devem ter , seja para com o Divino, seja para com o próximo. Da mesma forma, o ato de postar-se faz ver aos fieis que assistem uma manifestação de religiosidade a seriedade, o respeito e a simplicidade do sacerdote e dos médiuns frente ao plano espiritual superior. A implantação do ajoelhar-se tem como finalidade mostrar a Deus e à Espiritualidade todo o nosso carinho, obediência, respeito e amor, além do quanto somos pequeninos diante do universo criado por Ele. Também serve para passar à assistência que aquele espaço de caridade tem a exata noção do papel que desempenha como instrumento de trabalho dos bons espíritos.

Infelizmente, é do conhecimento de todos que ao lado de criaturas humildes, simples, meigas e caridosas que estão sempre dispostas a dar seu suor à Umbanda existem outras tantas orgulhosas, vaidosas e “auto suficientes” que procuram a todo custo imporem-se aos demais, maximizando suas “qualidades” e minimizando as virtudes alheias. Ostentam falsas conquistas querendo submeter todos aos seus caprichos. Contudo nada mais doloroso e incomodo para essas pessoas do que ficar em posição de subserviência e aparente inferioridade. Tal postura lhes sangra a alma e lhes oprime o pétreo coração. Suas visões ofuscadas não conseguem enxergar que tal rito é para o seu próprio bem, para sua própria libertação dos sentimentos mesquinhos e posterior elevação espiritual, pois auxilia na quebra da vaidade e da soberba.

Alguns até podem dizer que ao postar-se de joelhos o médium pode ter em mente pensamentos diametralmente opostos àquela posição. Mas aí, meus irmãos, é que se inicia o processo de assepsia e lapidação dos arrogantes e vaidosos, levados a efeito pelos amigos de Aruanda que, assim, dão luz a estas pessoas reconduzindo-as ao rebanho Divino. Joelhos ao chão sim!


Respeito à natureza é bom e nós gostamos!

Oferendar aos sagrados Orixás e Guias espirituais é uma das coisas mais belas e importante que o umbandista de fé tem em sua caminhada espiritual.

Os pontos de forças da natureza são um recurso natural da religião onde ao oferendar um Orixá ou Guia recebemos o seu axé, consagramos objetos para assentamentos e elementos de trabalho, descarregamos nossas energias negativas, sendo o ponto de força da natureza o último recurso contra as investidas das trevas, colocados à disposição de todos 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias e 6 horas por ano. – Que benção!!!

Porém a conscientização de como entrar e sair nesses campos vibratórios, de como firmar ou oferendar forças divinas e de preservar a natureza se faz necessária. Vejamos, de que adiantaria levar uma linda oferenda às matas com muitas flores, frutas, bebidas e velas, se ao sair, as matas pegam fogo. Será que isso é axé? Será que Oxóssi ficará satisfeito? Será que seremos beneficiados dos poderes divinos?

Outro exemplo são as oferendas a Iemanjá com lindas flores, perfumes, barquinhos. - Será que Iemanjá gosta do perfume ou do vidro de perfume? Será que Iemanjá vai atender aos pedidos dos “Barquinhos de isopor”, que demoram centenas de anos para se decompor poluindo suas águas, ou atenderá aquele pedido feito sem exagero mas com fé e respeito à natureza?

Irmãos de fé, é necessário o respeito pela natureza. A umbanda não está dentro dos terreiros limitada em quatro paredes, ela está na natureza, no tempo, no campo santo.

Não podemos dizer que somos umbandista se degradarmos as matas, os rios, mar, cachoeiras, jardins, ruas, cemitérios, avenidas, encruzilhadas....

Não podemos pedir ou exigir respeito se não respeitamos o próximo, se não respeitamos as vias publicas e residências, afinal você gostaria de encontrar um “trabalho” arriado em sua porta? Para ser umbandista basta “amar ao próximo como a si mesmo, respeitar a natureza e a deus acima de tudo.”

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