Horários De Atendimento

Segundas - 20 Hs - Mãe Ana e Pai Afonso.
Quartas - 20 Hs - Mãe Hosana e Pai Ney.
Quintas - 20 Hs - Mãe Gislaine e Pai Afonso.
Sextas --- 20 Hs - Mãe Sueli e Pai Joãozinho.
Sábados - 19 Hs - Mãe Sueli e Pai Joãozinho.

Primeira Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira de Desenvolvimento.
Segunda Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira da Corrente do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
Terceira Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira de Desenvolvimento.
Quarta Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira Cigana.
Quinta Terça-Feira do mês - 20 Hs - Gira Fechada.

Primeiro Sábado do mês - 15 Hs - Jardins de Aruanda.

Endereço - Rua Meciaçu 145 Vila Ipê - Campinas SP.

quarta-feira, 31 de março de 2010

SER MÉDIUM

Ser médium, de forma geral, é uma grande dádiva que nos é concedida por Deus, sempre no sentido do nosso aprimoramento espiritual. O importante, como afirmam os amigos espirituais, não é ser médium, é ser um bom médium.

Ser um bom médium é, certamente, estar em sintonia o mais perfeitamente possível com os planos do Cristo Jesus na ação de redimir e conduzir as pessoas à uma vivência real da sua existência, que é a de ascender, destruindo a ignorância, mãe da superstição e crendice, para uma vida em conformidade com o Plano de Deus para o ser humano, encontrar-se, encontrando Deus em si, para encontrar a felicidade tão almejada e inata em todos.

Não existe possibilidade de ser um bom médium se não se adota como regras essenciais de sua vivência mediúnica o estudo e a disciplina. O conhecimento desmitifica o mediunismo, e mostra o quão natural é o processo mediúnico; a disciplina facilita o afastamento do excesso de animismo e assenta o médium na humildade.

Mediunidade não é fenômeno sobrenatural ou mágico, é o uso natural do aparelho físico do médium, a partir do consentimento do mesmo, para que juntos possam, médium e guia, espalhar a palavra de conforto, ensinamento, e de ajuda através das manipulações energéticas, sempre no sentido de mostrar a grande misericórdia de Deus e a necessidade de reforma íntima, de aprimoramento moral, para se conquistar a real paz e alegria, que é a felicidade almejada, mesmo que inconscientemente. Ora, se oferecemos o nosso aparelho físico para ser usado pelos amigos desencarnados é preciso que o aparelhemos, para que possa ser hábil e apto às comunicações dos Guias e Mentores.

Ilusão mentirosa pensar que o guia faz tudo sozinho, pois a mediunidade psicofônica (incorporação) é uma mediunidade de efeito intelectual, ou seja, é realizada na intelectualidade do médium, no uso de seu cérebro físico como receptor, decodificador e transmissor das mensagens espirituais. Não havendo códigos doutrinários, evangélicos, racionais formados pelo conhecimento adquirido, o médium será deficiente na possibilidade de decodificar intelectualmente as mensagens doutrinárias e evangélicas dos Guias e, pior, em se tratando de médium fantasista e supersticioso, essas mensagens serão fonadas cheias de deturpações e vícios supersticiosos de propriedade do medianeiro. Se o trabalho mediúnico é feito a dois, médium guia, a contribuição do médium será um fracasso no que concerne ao plano cristico de esclarecimento e elevação mental e espiritual, através do mecanismo mediúnico.

Não existe milagre na mediunidade, mas um evento natural de ligação mental entre o medianeiro e o irmão espiritual a se comunicar, seja através da palavra, dos gestos ou das manifestações físicas.

Muitas vezes médiuns verdadeiros, mas atacados de escrúpulos, o que é outro grande erro prejudicial ao desenvolvimento mediúnico, nos falam da sua excessiva preocupação com o famoso e famigerado animismo.

Vejam bem, existe sempre animismo em qualquer tipo de mediunidade, pois o aparelho que está sendo usado é o corpo físico do médium, que estáhabitado, ligado ao espírito do mesmo. As atuações, idéias, etc, do espírito comunicante passam pela vivência, conhecimento e experiência do médium para chegarem ao mundo físico, portanto sempre haverá animismo, ou seja, a presença da anima, da alma do médium. Esse, como diz Ramatis, é um animismo sadio, quando o médium é maduro, consciente da sua responsabilidade e aparelhado com conhecimentos doutrinários e evangélicos que afastem da sua memória intelectiva as sombras da ignorância, das crendices e superstições, que podem até fascinar as pessoas sem conhecimento e maturidade espiritual, mas não ajuda, não eleva, não conduz à libertação, razão da mediunidade nos Planos do Cristo. Esse seria um animismo pernicioso e ruim.

Voltando a Ramatis, lembramos o seu ensinamento a respeito da mediunidade sem sombras de superstições e ilusões. Ele compara a mediunidade a uma xícara que contém café com leite. O café é o médium, o leite o guia. Ocorre a mistura, o café não é mais apenas café e o leite não mais apenas o leite, trata-se de café com leite. Agora, a maior ou menor quantidade de café ou de leite na xícara, que seria o medianeiro, depende do médium. Da sua seriedade, maturidade, fé, confiança e conhecimentos.

A mediunidade se processa de forma natural quando, nos momentos competentes e nos lugares certos, o guia envolve o perispírito do médium com suas energias mentais e emocionais. O perispírito do médium, como é natural, projeta esse envolvimento ao Duplo Etérico do medianeiro que, automaticamente, pelas rasuras existentes na sua tela etérica comunica essas energias mentais e emocionais ao corpo físico desse médium, mediunizando-o, ou seja, tornando-o medianeiro, instrumento comunicador das idéias

e sentimentos do guia comunicante.

Nada, portanto, de sobrenatural, apenas o exercício, planejado pela espiritualidade, de trabalho conjunto pela caridade, para ajudar na ascensão da humanidade.

Outro fator importantíssimo para a realização da mediunidade com Jesus é a disciplina. Os guias são espíritos que estão inseridos num processo evolutivo já consciente e irmanados à vivência espiritual da busca de Deus. São profundamente disciplinados, pois a ordem e o respeito são fatores preponderantes ao bom andamento evolutivo, que afasta a interferência das sombras, onde habitam espíritos indisciplinados, motivados pela ignorância. Sempre digo que quando há movimentos de indisciplina, desrespeito à hierarquia e à filosofia da Casa onde médium-guia trabalham, não se trata do espírito comunicante e sim da interferência do médium.

Guia não invade o livre arbítrio do médium, não cria desordens, não atrapalha a evolução dos seus aconselhados, não perde tempo com futilidades, mas aproveita todas as oportunidades, quando presentes na mediunidade do encarnado, para doutrinar, ensinar e evangelizar. Creio ser esse o sintoma prático de uma boa incorporação.

Diz o Pai Tomé que Umbanda não é teatro e terreiro não é tablado para apresentação de irmãos carentes, desavisados e vaidosos. Daí a necessidade da disciplina num Templo Umbandista. Disciplina que ensina, que ordena e organiza o trabalho religioso de um Templo, que deve ser Igreja onde se ora, Escola onde se ensina e Hospital onde se trata. Como existir essa bela realidade sem disciplina que organiza e favorece a organização de uma Casa dedicada ao trabalho de caridade com Jesus? Gosto da frase de André Luiz quando diz: Caridade sem disciplina é perda de tempo.

Médium que não aceita ou não quer se adaptar à disciplina do seu Templo, não está buscando espiritualidade e o intercâmbio sadio com o plano espiritual, mas sim preencher seus problemas carenciais e emocionais com a religião que satisfaça aos seus desejos e caprichos. Trata-se de mais uma máscara do ego, que só plantará mais o indivíduo na superficialidade e sentimentalismo vazio. E isso não é mediunidade com Jesus.

A mediunidade será sempre uma oportunidade dada pela misericórdia divina para que reconquistemos oportunidades perdidas em encarnações passadas, ressarcindo as dívidas contraídas com a Lei Universal pela nossa inércia e preguiça de caminhar com Jesus, nos caminhos da evolução espiritual. Quantos médiuns continuam a se perderem nos emaranhados da vaidade, do orgulho e da ignorância, pulando de Templo em Templo, sem se estabilizarem em nenhum e sempre culpando esses Templos sem se darem a oportunidade de, humildemente, enxergarem a sua vaidade e orgulho, quando não sua preguiça em se lançar na labuta do estudo, da disciplina e do trabalho. Lembremo-nos que: Tolo é aquele que naufragou seus navios duas vezes e continua culpando o mar (Publio Siro)

Emmanuel dizia a Chico ser necessário para trabalhar com ele de disciplina, disciplina e disciplina. Pai Ventania diz ser necessário para trabalhar com ele de austeridade, austeridade e austeridade.

Ele entende austeridade como seriedade no comportamento que implica em respeito e acatamento aos preceitos disciplinares contidos no Regimento Interno, respeito e acatamento à hierarquia constituída, respeito e acatamento ao ambiente que deve ser marcado pela religiosidade e fé, na busca da interioridade e crescimento espiritual. Ele sempre nos alerta dizendo que:

Todas as atividades num Templo que tenha a marca da espiritualidade, inclusive na Umbanda, devem ser realizadas no espírito de silêncio, seriedade, austeridade, prece e reflexão.

Em todos os aposentos de um Templo Umbandista os médiuns de sua corrente devem agir com esse mesmo espírito, não transformando o hospital, escola e igreja, que deve ser todo o ambiente do Templo, num lugar de conversas, exterioridades e conchavos.

Não transforme nunca o seu Templo num clube de amigos ou local de encontros, na ânsia insana de saciar a carência, ainda imatura, de aceitação e afetividade, o que, sem dúvida, acarretará, mais cedo ou mais tarde, fofocas e conversas fúteis, fáceis de serem aproveitadas pelos irmãos das sombras na sua ânsia de destruir as casas sérias e comprometidas com Jesus e a Alta Espiritualidade.

Cada médium, partícipe da corrente do Templo, deve agir de forma correta em sua posição e comportamento, e assim exigir de seus companheiros comportamento adequado à seriedade e crescimento espiritual que a espiritualidade exige.

Sejam, meus filhos, médiuns austeros e idealistas na construção e conservação do seu Templo espírita, que só será real e concreto se estiver plantado na disciplina, no estudo e no trabalho.

Você é responsável pelo Templo em que militas e, não se esqueça, responderá ante a Lei pela sua atuação e comprometimento com tudo aquilo que fuja do ideal de verdadeira fé, segurança e caridade.

O Templo pertence a Jesus e à Espiritualidade, e devemos estar nele respeitando os seus verdadeiros donos e agindo de acordo com suas orientações de disciplina, piedade, oração e trabalho. (Cab. Ventania de Aruanda)

O trabalho do médium é marcado pelo amor. Esse amor, para ser real, se expressa através da humildade, esforço e confiança no chamado para o exercício mediúnico e nunca por meio de sentimentalismos e superficialidades de quem ouve, aceita mas, na hora da prática burla essa disciplina ou age como se a mesma não fosse para ele, parece que dá uma amnésia irresponsável que, com certeza vai repercutir no todo, pois somos elos de uma mesma corrente.

O importante não é só aprender, mas utilizar os conhecimentos para lhe fornecer segurança. Não adianta o Templo oferecer cursos e aprendizados, os dirigentes se esforçarem para esclarecer e apontar o caminho da austeridade e disciplina templária, se o médium não se liberta da sua insegurança e vivências passadas de superstições, crendices, vaidades e superficialidades. Diz um ditado conhecido que Deus não chama os capazes, mas capacita aqueles que chama, quando se deixam capacitar.

O Templo oferece conhecimento, oportunidade de exercitar a disciplina, de ter um desenvolvimento mediúnico sadio e desprovido de fantasias, mas se o médium não se deixa capacitar, ouve, mas não transforma em sabedoria esse conhecimento, no exercício de suas atividades no Templo, é inútil, continuará na imaturidade religiosa e, portanto, num exercício mediúnico não sadio. Esse médium não contribuirá para somar na Corrente em que se encontra e diz Pai Ventania que médiuns sem maturidade, ainda infantis na sua vivência religiosa e mediúnica, não serve para trabalhar com ele, na missão que tem na construção do Templo do Cruzeiro da Luz.

Não, mediunidade não assusta, somente aos fracos, e como sabemos, a felicidade não pertence aos fracos e covardes. E, infelizmente, quantos se apresentam como fortes e desejosos de aprender e construir, mas que fica na superficialidade do aprendizado, não criando raízes profundas de humildade e serviço. Vivem dizendo que estão felizes e carregam profunda tristeza e sofrimento em seus interiores. Vivem de fachada, de exterioridades.

Pertencer a um Templo Espírita é assumir, com o coração e a vida, a filosofia, a disciplina e o trabalho da Casa. É triste para o Dirigente de um grupo espiritualista quando ele se esforça, ensina, se doa, oferece seu tempo e amor no trabalho de fazer crescer os médiuns da sua casa em religiosidade, disciplina e serviço, e observa que determinados médiuns, embora estudem e ouçam, se mantêm na superficialidade deslizando na disciplina, na humildade, agindo de forma independente da vibração harmoniosa da Corrente.

Se o médium não entendeu, depois do Aspirantado, do período entre a Vinculação à Corrente até a Vinculação de Exu, que as normas do Templo visam a unificação, à concretização dos rituais da Umbanda, à vivência da religiosidade, é sinal que ainda está com excesso de máscaras do ego e fechou a brecha da humildade, através da qual poderá penetrar a luz do verdadeiro conhecimento e prática de intercâmbio mediúnico sadio.

Se existe uma hierarquia, que são aqueles que receberam ordens e comando do Guia Chefe do Templo para manter a espiritualidade e a disciplina em alta, é porque assim é na Umbanda. Desde o Sacerdote Dirigente até os Pais, Mães Pequenos, Ogãs e Ekedis, são instrumentos nas mãos da Espiritualidade do Templo a serviço da seriedade, amor real e religiosidade do mesmo. E, a esses irmãos que são cobrados pelo Plano Espiritual, doam seu tempo, energia e amor a serviço de seus irmãos, deve haver total respeito e acatamento, como centro de unificação e sacralização da religião, como representantes da espiritualidade responsável pelo Templo.

Eles não são Pais e Mães apenas dentro do Templo, mas em qualquer lugar em que estejam, sempre salvando-se o discernimento e respeito aos ambientes em que estivermos. Pois o médium não é apenas umbandista no Templo e não são membros da Corrente, ou seja, da egrégora do Cruzeiro da Luz, apenas no Templo, mas em qualquer lugar em que estiverem. Após a Vinculação, uma marca espiritual é impressa no médium. Onde estiver é vista pelo Plano Espiritual como membro dos Cavaleiros da Luz, pertencentes ao Cruzeiro da Luz.

O médium que se sente diminuído, ou que pela sua vaidade e escrúpulo, não toma a bênção aos Pais e Mães em qualquer lugar em que os encontre, com segurança e carinho, demonstrando seu respeito, amor e fidelidade à Corrente do Templo a que pertence, ainda está na superficialidade da sua vivência religiosa, principalmente como membro do Cruzeiro da Luz. Tomar a bênção denota, com certeza, sua integração real e comprometimento destemido com o trabalho da Umbanda e do Cruzeiro da Luz. Dizem os Mentores que na bênção dada pelos membros com ordens e comandos, existe a eles a responsabilidade de abençoar e a quem pede o benefício de ser abençoado, pois quando eles abençoam, têm o aval da espiritualidade superior da casa e, portanto, apenas canalizam para nós a benção dos Irmãos Espirituais Superiores.

Para mim é triste quando detecto médiuns do Cruzeiro da Luze encontrarem seus irmãos com cargo no seu Templo e se esquivarem de tomar a bênção, especialmente quando sinto a ponta da vaidade, do escrúpulo e da falta de fé na realidade ritualística e religiosa da Umbanda. Principalmente quando sei e acontece que membros de outros Templos ao nos encontrarem, em qualquer lugar, seja pela internet ou na rua, logo tomam a bênção, pois sabem da importância canalizadora de energia e do ritual preceituado no Movimento Umbandista. Para mim, médiuns que agem desse jeito, estão atrasando sua caminhada de serviço mediúnico e, pior, deixando que a vaidade e a superficialidade fale mais alto que o aprofundamento e vivência religiosa real e concreta.

Porque mediunidade é exercício religioso de doação, amor e vida. É fácil de vivenciá-la, quando o irmão chamado a exercê-la se mune de intrepidez, humildade e comprometimento fiel. Intrepidez para enfrentar os percalços naturais, as renúncias e a abnegação que faz desse exercício uma atividade sagrada, é o sacro ofício = sacrifício.

Humildade para aceitar a disciplina, as correções necessárias e as atividades ritualísticas de sua Casa de Trabalho. Amando-a e assumindo-a como parte de sua vida.

Comprometimento para assumir, como sua família espiritual, a Corrente a que pertence. A fidelidade ao Guia Chefe, ao Sacerdote-Dirigente, à Corrente composta de seus irmãos de trabalho espiritual só será realidade a partir da maturidade do médium, que se comprometerá com a mente, o coração e a vida a esse trabalho no Templo Umbandista que o acolhe, ensina e forma para uma vida religiosa e mediúnica sadia.

Comprometimento para trabalhar a sua mediunidade com uma única razão, que é a razão pela qual os guias abnegadamente assumem as formas perispirituais no movimento umbandista (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus), que é a de crescer, ajudando seus irmãos a crescerem espiritualmente, sendo assistidos pela misericórdia de Deus, no tratamento de suas dores e problemas.

Sim, ser médium na Umbanda é maravilhoso, é gratificante, só é necessário que entendamos que ela é uma religião disciplinada e ritualística, que é preciso ser compreendida, vivida e amada no Templo a que pertençamos. Diz o Caboclo das Sete Encruzilhadas que

A Umbanda é uma árvore frondosa, que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.

Pai Valdo (Sacerdote Dirigente do T. E. do Cruzeiro da Luz da casa mater)


MAGIA NA UMBANDA

A umbanda é magia: magia não é privilégio de ninguém. Magia é a arte de manipular a natureza criando campos de força. E é exatamente isso que fazem os Guias nos Templos Umbandistas. Juntam elementos para criar, desde um simples patuá, até uma enorme energia positiva para destruir outra da mesma intensidade, criada por espíritos malignos. Magia não tem receituário nem dicionário. Magia é magia. Apenas é lamentável o mau uso do termo magia.

Todas as pessoas que trabalham na Umbanda são pequenos magos. Uns conscientes e outros inconscientes, mas, direta ou indiretamente, praticam a magia. Por ignorância tem gente matando cabritos, comendo carne crua e alguns, pasmem, praticando a magia do sexo, esta a mais burra e inexistente magia. São pessoas desorientadas e pervertidas usando o nome da magia para saciar seus instintos grotescos. Isto nada tem a ver com a verdadeira magia e muito menos com a Umbanda. Os Guias são sábios magiadores do BEM.


Magia do álcool

A cachaça, o vinho, a cerveja e etc..., têm função magística. No plano astral, servem para fins que fogem, na maioria das vezes, completamente à nossa compreensão. Pela volatilidade do álcool, apresenta eterização para desintegrar morbos e campos de forças mais densos. Espírito não vem no terreiro para beber. Um Exu Senhor Tranca Ruas das Almas, inquirido sobre a necessidade do espírito beber respondeu: - “se quisesse beber não viria nos terreiros. Iria freqüentar os bares onde vivem os alcoólatras e lá arranjaria um copo-vivo (ermo usado para aqueles que são dominados por espíritos viciados em bebida).

Aqui vale um ensinamento. No mundo espiritual existe o principio da lei dos semelhantes, ou seja, o semelhante atrai o semelhante. Todo homem embriagado quase sempre está acompanhado de um espírito semelhante. O grande problema é que, como o espírito não pode ingerir a bebida, ele aspira, para sua satisfação, a emanação do álcool, razão pela qual o bêbado (copo-vivo), ingere enormes quantidades de bebida. Uma parte para ele e outra para o espírito. Interessante que esses espíritos protegem o seu doador, bem como nós fazemos com o copo que nos serve para beber água, mas quando não mais lhe serve, abandona a criatura em estado deplorável.

Magia da fumaça

Todas as religiões do mundo usam a fumaça como depurador das energias. A defumação é sagrada e consagrada pelo mundo inteiro, desde os monges tibetanos até os padres católicos. O turíbulo do Guia é o charuto, o cachimbo ou o cigarro.... Faz parte da cultura indígena e, por extensão, da umbanda. Não devemos confundir a fumaça do charuto com a defumação através de ervas ou bastões cheirosos. Ambos têm funções importantes na religião, mas são usados de forma diferente. Não devemos esquecer os vários tipos de fumaça usadas pelos espíritos. Além do charuto, o cachimbo do preto-velho, o cigarro comum das pombas-gira e alguns exus, também produzem o mesmo efeito.

Aqui cabe a mesma consideração, espíritos guias não fumam. A fumaça que se eteriza é que tem função magística...


Magia do som e do movimento

A música foi feita para as pessoas se amarem. O som mexe nossos sentimentos. E também fazia parte da cultura dos índios. É um mântra. Mas não é só isso. O som repercute no éter. Ele vibra. A fala mansa domina e a fala grosseira irrita. Ele tem um equilíbrio, regulando nossas emoções. Quando ouvimos uma música forte, sentimos força interior. Ficamos mansos e dóceis ao som de uma música suave. Quem não se lembra da suavidade da canção de ninar docemente cantadas por nossas mães? E quem não se lembra dos sustos e medos passados na infância por gritos histéricos de alguém? Imaginem estarmos sentados à beira de um rio, olhos fechados, ouvindo o gostoso barulho da água formando pequenas marolas, ainda premiado com o canto de um sabiá e outros pássaros e uma pequena brisa nos refrescando. É um sentimento ligado ao som e ao movimento. Agora estamos voltando para casa. Os carros em sentido contrário fazendo o ruído na janela, a buzina dos apressados motoristas tentando a ultrapassagem, com o som ligado em volume máximo, tocando um pagode imoral desses conjuntos comerciais ou as barulhentas guitarras dessas bandas histéricas. Nossas emoções, com certeza, serão diferentes.

O movimento tem o mesmo efeito do som. Reparem que um andar seguro, calmo e firme transmite uma personalidade segura. Um andar desordenado e atabalhoado agita as energias em sua volta. Vejam um exército marchando. O garbo dos soldados emociona a todos. Falei do andar. E a dança! Quantos efeitos ela causa. Quando se fala em espiritualidade nosso parâmetro é Jesus Cristo. Jesus era um homem sereno, de andar firme, gestos harmoniosos e voz suave, pausada e clara, o que em absoluto me faz pensar fosse um homem triste. Ao contrário, imagino tenha sido um homem levando sempre um sorriso a todos, mas nunca deve ter dado uma gargalhada. Nas suas caminhadas não devia cansar, pois seus passos deveriam ser firmes e uniformes, sem jamais correr. Se alguém me perguntasse qual o movimento mais equilibrado que pudesse conceber, responderia, sem hesitação: o levantar do braço de Jesus Cristo acompanhado de sua firme voz.

Assim devem ser os Pontos Cantados e as danças na Umbanda. Se os pontos não forem cantados dentro da sua harmonia, com a mentalização sagrada e religiosa de quem vibra mentalmente nas irradiações dos Orixás e Guias, se tornam um amontoado de sons, sem repercussão magística. É necessário que os pontos sejam mântras, cantados com respeito, amor e vibração. Não se trata de formar um coral ou de se fazer uma apresentação vocal. Trata-se de concentração, respeito e amor naquilo que se está fazendo: invocando, louvando e irradiando caritativamente as vibrações sagradas ou Guias de Trabalho da Umbanda.

O mesmo podemos dizer da dança, que deve ser invocatória, harmonizada pelos gestos às vibrações invocadas. Isto acontece na maioria dos ritos religiosos, principalmente no Oriente. Canto e dança no louvor e invocação do sagrado.


Magia da guia

A guia é um elemento de ligação entre o médium e o espírito ou vibração. Imanta-se um campo de força nela centralizado, criando uma eficiente proteção contra eventuais energias negativas.

Ela se torna um pára-raios, ou melhor, um pára-energias. Às vezes ela arrebenta pela atração de energias negativas e forte. Essa pequena guia serve para o médium, como para invocar e atrair energia negativas, num ato de caridade em relação aos outros. Elas devem ser fechadas com duas firmas que concentram a polaridade positiva e negativa. Poderão ter, presas, uma cruz de aço, ou outro emblema ou ponto riscado dado pelo seu Guia, ou Guia da casa em que você trabalha.

A guia deve ser feita de acordo com a vontade do Guia que a solicite. Guia não é colar e, muito menos, enfeite. Existem vários tipos de guias. As guias dos orixás do médium, que são feitas com contas da cor cultuada pelo terreiro. São contas de cristal ou louça, e suas miçangas podem ser distribuídas com bom gosto. Mas jamais exageradas ou grande. Deve ser usada pendurada no pescoço e nunca atravessada no ombro, pois isto é coisa para quem tem cargo e assim é determinado. Atravessar Guia simboliza chefia. As guias podem conter sementes de capiá, também conhecida como lágrimas-de-Nossa-Senhora, outras sementes como coronha (olho-de-boi), bambús, olho de caboclo, conchas e outros elementos marítimos e até penas coloridas, tudo de acordo com a solicitação da entidade, autorização do Templo e conforme a sua origem.

Os pretos-velho, normalmente, são mais simples em suas guias. Gostam de muita simplicidade e preferem a guia inteira de sementes de capiá e poucos elementos.


Magia do ponto riscado

A sagrada grafia dos orixás serve para identificar o espírito comunicante, para chamar falanges e construir campos de força.

Através do Ponto riscado a Entidade se identifica e cria o campo energético de trabalho da sua vibração. Quando uma Entidade risca o ponto ele exerce uma atividade magística de identificação, para o campo astral, de suas ordens e comandos de trabalho (se identifica), pede licença para trabalhar dentro dessa vibração e mantém o pólo magnetizador que atrai energias pesadas, neutralizando-as e envia energias saudáveis ao consulente.

Os Pontos riscados são também usados na invocação das Vibrações dos Orixás e para a formação das Mandalas magísticas de trabalho em prol da caridade.


Magia do ponteiro

Os antigos magistas já usavam a espada como elemento de grande importância em seus trabalhos de magia. Na verdade a ponta do aço é usada para explodir campos negativos de forças. Quando fincado, ele firma a magia, ou seja, firma o ponto. Todos os espíritos, na umbanda, fazem uso do ponteiro. É difícil identificar suas intenções quando "batem os ponteiros". Mas batem, e batem muito bem.


Magia do Templo Umbandista

O Templo Umbandista é a casa santa dos umbandistas. Nele se concentram todas as energias dos Orixás e Guias. Suas firmezas, o Congá, o Santuário, a Casa dos Exus, o respeito dos freqüentadores.

É o lugar onde cultuamos e desenvolvemos nossa espiritualidade através do emocionante encontro com o mundo dos espíritos, o outro lado da vida, a nossa Aruanda.


Magia da Disciplina e da Hierarquia

Uma pessoa muito culta me disse um dia: "gostei muito da Umbanda. Lá todos são deuses, ou seja, todos têm condição de fazer o milagre." A hierarquia na umbanda é respeitadíssima por todos os participantes. O pai (Babalorixá) dita as regras e a filosofia da casa, os pais e mães-pequenos são seus auxiliares diretos, as Ekédis cuidam da gira e dos médiuns e os ogans cuidam da disciplina e do conjunto de instrumentos usados no terreiro. Sobre a obediência à hierarquia o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse: quem não sabe obedecer, jamais poderá mandar. Este conjunto de respeito forma a união e a integridade mágica da casa espiritualista de Umbanda. Sem disciplina rígida e séria uma Casa de Umbanda não prossegue seu trabalho sob os auspícios da Espiritualidade Superior. O que parece, às vezes, exagero do Pai ou Pais e Mães pequenos no sentido da manutenção da disciplina, do respeito ao terreiro e aos Guias, do respeito à hierarquia constituída, da não permissão de fofocas ou conversas fúteis, constitui-se, na verdade, no grande para-raio ou entrave à entrada de espíritos obsessores, zombeteiros, mistificadores que, em nome de uma suposta caridade sentimentalóide e adocicada, atuam criando confusões, brigas, desentendimentos, desânimos e queda da Casa Umbandista. Todo cuidado é pouco. Não importa que agrade ou desagrade. Quem tem o espírito de amor e busca um Templo sério e a verdadeira espiritualidade, que conduz à evolução, compreende, adere. Caso contrário, é melhor que fique de fora da corrente, pois o orgulho, a vaidade e a ignorância são instrumentos nas mãos dos inimigos invisíveis para a produção de parada ou desmoralização de um Grupo Espiritualista.

Diz André Luiz, pelo médium Chico Xavier que : "Caridade sem disciplina é perda de tempo".

A corrente é a grande força do Templo Umbandista. Na verdade, a corrente merece mais cuidados que as paredes e toda a estrutura física do Templo. Tudo gira em torno dela. Se um elo dessa corrente estiver fraco, pode desestruturar todo o trabalho e dar acesso às energias negativas que, muitas vezes, conseguem prejudicar a vida de muitas pessoas ligadas a essa casa espiritual. Devemos sempre lembrar: "Ninguém é tão forte como todos nós juntos".

Para manter a Corrente sempre iluminada a disciplina tem que ser rigorosa, e o seu princípio está no respeito à hierarquia. O membro da Corrente que não se sinta inserido nesse campo de atividade de acordo com as normas da Casa deve se afastar, pois será melhor para ele, e evitar-se-ão problemas futuros, bem como a possibilidade de entrada de quiumbas por tele-mentalização nesses médiuns desavisados.


Magia do Congá

O Congá é um núcleo de força, em atividade constante, agindo como centro atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e magnetismo.

É Atrator porque atrai para si todas as variedades de pensamentos que pairam sobre o terreiro, numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes mentais, quer positivos ou negativos.

É Condensador, na medida em que tais ondas ou feixes mentais vão se aglutinando ao seu redor, num complexo influxo de cargas positivas e negativas, produto da psicosfera dos presentes.

É Escoador, na proporção em que, funcionando como verdadeiro fio-terra (pára-raio), comprime miasmas e cargas magneto-negativas e as descarrega para a Mãe-Terra, num potente efluxo eletromagnético.

É Expansor pois que, condensando as ondas ou feixes de pensamentos positivos emanados pelo corpo mediúnico e assistência, os potencializa e devolve para os presentes, num complexo e eficaz fluxo e refluxo de eletromagnetismo positivo.

É Transformador no sentido de que, em alguns casos e sob determinados limites, funciona como um reciclador de lixo astral, condensando-os, depurando-os e os vertendo, já reciclados, ao ambiente de caridade.

É Alimentador, pelo fato de ser um dos pontos do templo a receberem continuamente uma variedade de fluidos astrais, que além de auxiliarem na sustentação da egrégora da Casa, serão o combustível principal para as atividades do Congá (Núcleo de Força).

O Congá não é mero enfeite; tão pouco se constitui num aglomerado de símbolos afixados de forma aleatória, atendendo a vaidade de uns e o devaneio de outros. Congá dentro dos Templos Umbandistas sérios tem fundamento, tem sua razão de ser, pois é pautado em bases e diretrizes sólidas, lógicas, racionais, magísticas, sob a supervisão da espiritualidade.


segunda-feira, 29 de março de 2010





Está Chegando !!!
E eu faço votos que se torne o
Filme mais assistido neste Brasil !!!
Visite o Site Oficial e assista cenas do filme:

http://www.chicoxavierofilme.com.br/


Quem entre nós, dedicado aos estudos espiritualistas, não leu nenhuma obra do Chico?
Quem ao estudar o fenômeno da mediunidade não leu ainda "Nos Dominios da Mediunidade"
e "Mecanismos da Mediunidade"?
Se você não leu esta é uma boa oportunidade...
Somam milhões de pessoas os beneficiados diretos e indiretos da obra de Chico Xavier...
A Série "Nosso Lar" (16 títulos) é considerada por todos espiritas um "Curso de Espiritismo"...

E nós Umbandistas?
Não nos beneficiamos da vida e obra deste que é o maior exemplo mediunico à serviço do Bem?

Vamos mostrar nas bilheterias dos Cinemas nosso agradecimento ao Chico Xavier...

Vamos mostrar quantos somos nós, admiradores do homem e do médium de Uberaba...

Abaixo "repasso" um texto interessante sobre as gravações do Filme:

As gravações do filme sobre a vida do médium Chico Xavier foram marcadas por vários casos que, certamente, são uma história a parte. As filmagens tiveram uma atriz vendo o médium, figurante incorporando um espírito e outros mistérios, como a chuva que parava misteriosamente a cada novo dia de gravação. Nelson Xavier, ator que interpreta o papel principal, conta que sua ligação com Chico foi muito além do sobrenome igual.
- Eu senti a presença dele o tempo todo. Foi o único personagem que eu pedi para fazer e, hoje, acredito em tudo o que ele disse e viveu. Cada vez que penso nele me comovo - disse Nelson, se emocionando novamente.
O ator lembra que, há muitos anos, estava num churrasco quando um rapaz sentou ao seu lado e perguntou se eu ia fazer o papel do espírita.
- Eu disse que não. Aí ele me respondeu que um passarinho havia dito isso para ele e que ele era espírita. Esse foi um dos sinais mais significativos para mim - diz Nelson, que acredita que Chico o escolheu: - Ele me acompanhou durante todo o percurso.
Segundo a atriz Renata Imbriani, que participou das filmagens, Chico realmente estava perto de Nelson. Ela, que é Espírita, conta que viu o espírito do médium durante uma gravação.
- Estava aguardando a minha vez de entrar em cena e o Nelson estava gravando. De repente, vi uma porta entreaberta de onde saiu uma luz muito grande. Era o Chico. Ele apoiou o braço direito do Nelson e ficou todo o tempo energizando ele. O incrível é que, quando ele toca o Nelson ele fica até com a fisionomia igual a do Chico - conta Renata que interpreta uma mulher que perdeu o filho.
Segundo a atriz Rosi Campos, o clima das filmagens foi marcado por uma emoção que parecia estar à flor da pele. -Todos que estavam no filme queriam muito estar lá, isso criou um clima muito especial nas filmagens. Você se apaixona pela pessoa que ele foi. Foi muito emocionante. O filme deve ser lançado em 2 de abril de 2010, quando o Chico faria 100 anos. Emoção no jardim de Chico: No último dia das gravações, Nelson Xavier teve uma crise de choro. Depois, foi para o jardim, sentou num banco e, talvez sem saber, faz o que Chico costumava fazer ali mesmo: apóia as mãos sobre as pernas e olha para o céu. "Essa cena foi emocionante. Era o jardim dele, as rosas dele".
Até o tempo deu uma forcinha
Em Uberaba fazia um frio horrível e o diretor Daniel Filho disse para ninguém se preocupar porque no dia seguinte faria sol. Não deu outra. Fenômeno parecido aconteceu em São Paulo , quando chovia muito forte em toda a cidade. Só não caiu um pingo no local da filmagem.
Visita inesperada em reunião espírita:
Segundo o diretor, teve uma filmagem de uma reunião espírita, em que, de repente uma senhora recebeu uma entidade. "Paramos a filmagem e esperamos a senhora se recompor".
Pomba branca mostra o caminho:
A atriz Renata Imbriani conta que, antes de sair para gravar começou a rezar pedindo proteção. De repente, uma pomba branca entrou na casa e parou bem na frente dela. "Ela só foi embora quando eu saí. Pensei: estou no caminho certo. O tempo inteiro senti uma energia muito forte e tranquilizadora".
CHICO XAVIER - O FILME Dia 02 de abril de 2010, uma sexta-feira, irá estreiar em circuito nacional um filme de Daniel Filho, Chico XAVIER - O FILME.
Exatamente no dia em que se comemora o centenário de Chico Xavier,
uma vez que em sua última reencarnação ele nasceu em 02 de abril de 1910.
Sugestão: Para aqueles que possuem orkut, adicionem o vídeo do trailer em seus vídeos favoritos,
contribuindo com sua divulgação.
Sugiro também que encaminhem este e-mail para seus contatos,
para que o maior número possível de pessoas possam saber da estréia deste filme que sem dúvidas será um marco na DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA ESPÌRITA..

O filme tem tudo para ser um grande sucesso, alcançar recordes de bilheteria e isso fará com que o nome de Chico Xavier seja muito comentado na imprensa e consequentemente da nossa querida e formosa Doutrina Espírita, uma divulgação em larga escala, como nos pedia o preclaro Codificador.
Muitas pessoas passarão a conhecer o Espiritismo através da repercução deste filme.
Sem dizer que é uma ótima oportunidade para levarmos ao cinema amigos e parentes que não conhecem o Espiritismo.
Por enquanto, apenas divulguemos!!!
Vamos preparar o terreno, espalhar esta informação aos nossos amigos espíritas e simpatizantes, e mesmo os não espíritas, e aí sim, no dia 02 de abril em diante, vamos lotar as salas de cinema na certeza de que estaremos contribuindo com a maior divulgação de TODOS OS TEMPOS do Espiritismo.Por enquanto amigo, se você repassar este e-mail, já estará contribuindo muito.
Forte Abraço a todos e Muita Paz. NÚLEO ESPíRITA AMOR & LUZ - Rua Maria Helena, nº. 174 - Centro - Carapicuíba - SP Uma última informação: O filme possui grande ELENCO, entre eles:NELSON XAVIER, ANGELO ANTÔNIO, MATHEUS COSTA, TONY RAMOS, CHRISTIANE TORLONI, GIULIA GAM, LETÍCIA SABATELLA, PEDRO PAULO RANGEL, GIOVANNA ANTONELLI, PAULO GOULART, CÁSSIA KISS,ROSI CAMPOS, ANA ROSA.

O Guardião Catacumba - Por Danilo Lopes Guedes


quinta-feira, 25 de março de 2010

Com o Espírito Incorporado

Sempre digo que o kardecismo é muito mais tolerante que a Umbanda. Na mesa um espírito incorpora, deixa uma linda mensagem de amor ou de advertência para os perigos mundanos sem a necessidade de dizer seu nome. Na umbanda, ele tem que incorporar no ponto de chamada, com a tipicidade da linha (caboclo, preto-velho ou criança), cumprir todas as ordens da hierarquia do terreiro, riscar o seu ponto individual, beber, fumar e dar seu nome, correndo o risco de, se não cumprir tudo, ser chamada a sua atenção.
Claro que tudo será feito com cautela e tempo de treinamento. Para chegar a isso, o médium passa uma dificuldade de saber o que fazer dentro do terreiro. Ele está incorporado com o orixá, sentindo toda sua energia, mas ainda falta muito para dar o passo certo como cavalo bem domado, chegando mesmo em alguns momentos achar que o espírito se afastou, fato explicado pelo impulso mental do médium.
Nessa parte quero chamar a atenção de um fato de grande importância. Dificilmente um médium é sonâmbulo (ou inconsciente, como alguns dizem), sendo o mais comum o médium consciente, aquele que sabe o que está acontecendo, mas não tem o controle das palavras e dos gestos. É o que chamamos de terceira energia. Vejam como funciona: existe uma fusão do espírito do médium com o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia.
Gosto de dar exemplos. O café e o leite, separados, são puros.Misturados criam uma terceira bebida, podendo ser mais preto ou mais branco, conforme a quantidade das bebidas. Mas sempre, a união de ambos, terá uma terceira qualidade. É impossível a comunicação pura do espírito. O importante é a presença do espírito, com maior ou menor intensidade. Voltando ao médium perdido no terreiro, o seu impulso inicial é procurar alguém para lhe dar um passe ou tocar em sua testa. Muitos dirigentes não gostam desse procedimento e inibem o espírito de fazer isso, o que é um erro porque, talvez até mais que o próprio dirigente, é o espírito quem quer o desenvolvimento de seu cavalo escolhido.
Recomendo para minha hierarquia deixar que isso aconteça, sem exageros, é claro. Com o decorrer do tempo esse médium ganha um charuto, cachimbo ou cigarro de palha, conforme a entidade, e é quando ele começa a se acalmar, até procurar um lugar para sentar. Daí para riscar o ponto é bem mais rápido. Quero anotar aqui, para conhecimento dos médiuns em desenvolvimento, alguns erros que atrapalham bastante a evolução da mediunidade: não procurar, sob nenhuma hipótese, tentar adivinhar o nome do espírito; não querer riscar o ponto sem antes estar bem assentado com a entidade; não tentar dar avisos e recomendações a ninguém; não ter ciúmes do espírito e não pensar que ele é seu, porque espírito não tem dono.

1) É comum o médium incorporado procurar um amigo seu para lhe dar um passe ou falar com ele, e isso não invalida a incorporação e não quer dizer que foi o médium que procurou e não o espírito, principalmente porque a entidade, sabendo das dificuldades de seu cavalo, tenta de todas as formas facilitar a incorporação. Alguém já me perguntou como o espírito sabe que a pessoa é amiga do médium. Respondi convicto: mais do que o guia, ninguém conhece tanto os amigos de seu protegido.

2) É fundamental ao médium confiar nos dirigentes do terreiro. Incorporem que as pessoas responsáveis estão lhe cuidando. Eu, na primeira vez que fui ao terreiro da Umbanda, senti a incorporação e saí dando passes para o ar e quase caí dentro do Congá. Meu pai-de-santo carinhosamente ajudou-me a levantar e disse: ·você não está na mesa kardecista, e sim em um Terreiro de Umbanda. Com o tempo você aprende·. E eu tinha vinte e cinco anos de experiência, o que me fez responder ao pai-de-santo: ·estou nas suas mãos, vou esquecer momentaneamente tudo que sei do espiritismo.· E foi o que fiz, sem nenhum arrependimento. Fazia, sem questionar, tudo que o pai-de-santo mandava.Na Umbanda, os médiuns mais comuns são os de incorporação e os de intuição.

http://www.paimaneco.org.br/home.asp

Perigos da Mediunidade

Quem fuma cachimbo está sempre impregnado do cheiro da fumaça. O dentista quando sai de seu consultório exala o cheiro forte do remédio que usa em seus pacientes.
Quando trabalhamos com a incorporação de espíritos os resíduos de suas energias ficam na nossa aura. O acumulo sucessivo das incorporações deixa essas energias depositadas e em número cada vez maior.
Se por um momento nós tivermos raiva de alguém e nossa energia for direcionada a essa pessoa, junto com ela todas as energias acumuladas engrossam o poder da vibração, podendo causar um mal imprevisível ao atingido, e isso sem nenhuma responsabilidade ou vontade das entidades. Por isso quando dizem que um Exu fez o mal, na verdade foi só o médium que usou da energia dele para provocar a maldade. Vale aqui colocar uma ordem nessas palavras: Exu não faz o mal, por se ele fizer não será Exu e sim um espírito malvado se fazendo passar por ele. Por essas razões os médiuns da Umbanda devem ter a consciência para não terem pensamentos negativos contra ninguém. Meu pai-de-santo dizia: “médium de Umbanda está proibido de ter raiva.”

“Besouro” recebe homenagens e conquista o público


O filme “Besouro” está há apenas três semans em cartaz e ainda nem iniciou sua carreira em festivais. Mas já anda recebendo homenagens, além de ter merecido ampla reportagem na edição deste domingo do programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo.
Nesta semana em que se comemora, no dia 20, o Dia da Consciência Negra, a atriz Jessica Barbosa será agraciada com o prêmio Ofó de Xangô, oferecido pela organização da Mostra Internacional do Cinema Negro, que ocorre dentro da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, cuja última edição encerrou-se dia 5 de novembro. A premiação será às 19h30 desta segunda-feira, dia 16, na Faculdade de Direito da USP.
Já no dia 20, “Besouro” terá exibições especiais em dois lugares distintos: uma na comunidade da Vila Heliópolis, em São Paulo, e outra na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, onde o ator Aílton Carmo, astro de ‘Besouro’ organizará um dia de atividades em torno da capoeira e da cultura afro, e que culminará com a exibição do filme que ele protagoniza.
Aílton, aliás, desde o lançamento de “Besouro” decidiu refugiar-se na Chapada, onde mora e faz as duas coisas que mais gosta: jogar capoeira e guiar turistas pelas belezas do Parque Nacional da região.
Filme
Deuses orixás que parecem Xerxes, o rei persa de “300″. Lutas em cima de árvores que lembram “O Tigre e o Dragão”.
E um senso de vingança puramente “Kill Bill”. São muitas as referências pop de “Besouro”, o filme nacional de maior orçamento a ser lançado neste ano, mas nada mais brasileiro do que seu enredo, com capoeira, candomblé e escravidão.
Divulgação
O ator Ailton Carmo interpreta Besouro, personagem que luta para defender os negros
“É um fenômeno de internet que nunca aconteceu com um filme brasileiro”, diz Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, que analisa números do cinema no país. “Tem chance de sucesso, sim, é um filme de ação com as técnicas mais apuradas do mundo. Mas, mercadologicamente, o problema é que se passa no [começo do] século passado e sem ator conhecido.”
De fato, os três protagonistas são estreantes. Ailton Carmo, 22, é professor de capoeira e guia turístico de Lençóis (BA). Ele faz o vaidoso Besouro Mangangá, um dos maiores capoeiristas da história, que fez sua fama no Recôncavo Baiano, nos anos 20. No filme, ele tem um melhor amigo, Quero-quero (o também capoeirista profissional Anderson Santos de Jesus), com quem vai disputar o amor de Dinorá (a estudante de teatro Jessica Barbosa).
“Tem gente que ainda vê a capoeira como coisa de malandro, como se bandidos estivessem ali”, diz Ailton, que tem 16 anos de capoeira e costuma ir à Bélgica para dar aula. “O filme vai ajudar não só a capoeira, mas outras coisas de nossa cultura também, como o candomblé.”
Outro estreante no time é o próprio diretor, o carioca radicado em São Paulo João Daniel Tikhomiroff, 59, premiado publicitário com mais de 40 Leões de Ouro no festival de publicidade de Cannes. Filho de um dos dirigentes do estúdio americano Universal no Brasil, ele fez curtas e foi montador quando adolescente, até que, aos 21 anos, foi parar na publicidade para levantar dinheiro para um longa, nunca acabado.
Agora, ele se cercou de profissionais conhecidos do cinema para fazer “Besouro”, escalando gente como a preparadora de elenco Fátima Toledo, o diretor de fotografia equatoriano Enrique Chediak e o chinês coordenador de cenas de ação Huen Chiu Ku.
“O Brasil não tem tradição de filmes de ação. Então eu fiquei pensando: “Como faz Tarantino nos seus filmes? Como foi feito “Matrix’?”. Aí descobrimos os chineses”, explica João Daniel, que ainda tem Gilberto Gil assinando a canção-tema do filme.
As filmagens foram feitas em quatro locações na Bahia, buscando a natureza exuberante da região, como a turística Lençóis ou Xique-Xique do Igatu, com 360 habitantes.
Orixás
“Besouro” foi inspirado no livro “Feijoada no Paraíso”, de 2004, do cartunista e publicitário carioca Marco Carvalho. A editora Record lançou uma nova edição, com fotografias do filme.
“Fiquei fascinado porque o livro é baseado em lendas do Besouro. As pessoas realmente acreditavam que ele voava”, diz o diretor. Besouro é um inseto que, por suas características, não deveria voar, mas voa, assim como o capoeirista.
A capoeira, luta criada por escravos trazidos ao Brasil, chegou a ser proibida por decreto até os anos 30, quando passou a ser permitida desde que acompanhada por policiais e em lugares fechados. A liberação total só veio nas décadas seguintes e, em 2008, virou patrimônio cultural brasileiro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Umbanda e Quaresma

Dentre os vários compromissos que os verdadeiros Umbandistas devem ter para com a religião que abraçaram, estão os de esclarecerem, difundirem e enaltecerem os reais valores, bases e diretrizes de nossa Sagrada Umbanda. Desta forma, observações, avaliações e conceitos devem alcançar e modificar determinadas condutas que, embora habituais, têm como base preceitos estranhos a nossa religião.

Neste contexto, reportemo-nos, sucintamente ao ato litúrgico católico nominado Quaresma. A Quaresma e o próprio nome revela, é um período de 40 dias que tem início após as festas ditas profanas (carnaval), culminando no domingo de páscoa. Tem como finalidade, segundo os católicos, preparar o indivíduo, mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e a absorção de valores sagrados. Tal período litúrgico, afirmam alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio (Assembléia) Ecumênico de Nicéia, no ano 325.

Não obstante respeitarmos esta prática religiosa, própria dos católicos, devemos ter em mente que tal habitualidade pertence ao catolicismo, e não a Umbanda. E por quê então um número razoável de terreiros fecham suas portas, suspendendo as atividades espírito-caritativas durante este período?
1° Influência dos tempos de Catolicismo:- muitas pessoas que hoje são dirigentes Umbandistas, no passado professavam a religião católica. Converteram-se à Umbanda, mas esqueceram-se de deixar na antiga religião preceitos próprios da mesma.
2° Justificação para longas férias: - encontram no período católico da Quaresma o meio ideal de justificarem sua vontade particular de descanso, de deleites materiais, sem serem alvos de críticas por estarem suspendendo atividade de auxílio espiritual aos necessitados, uma vez que a maioria não sabe o que é quaresma.
Os Umbandistas, consoante o que foi mencionado, devem ter consciência e convicção de que os terreiros são verdadeiros pronto-socorros espirituais e jamais poderão fechar suas portas a médiuns e assistentes. Ou será que a tristeza, a frustração, as demandas, as doenças, e outras situações negativas deixam de afligir as pessoas durante a quaresma?
Sejamos sensatos. A Umbanda é religião cristã. É fato. Não significa, no entanto, que tenhamos de aplicar atos litúrgicos alienígenas à mesma.
Se os católicos são de opinião que a melhor forma de expiar suas faltas é jejuar e fazer penitência, ficando na última semana dos 40 dias a chorar o sofrimento de Jesus, bom para eles.
Nós umbandistas somos sabedores que o Meigo Nazareno não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtudes que pregou quando encarnado, como alicerces seguros para a evolução da humanidade.
Reverenciemos o Cristo da Galiléia com trabalhos espirituais, que não podem parar, pois que o socorro é sempre urgente. A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação.

Saravá Umbanda !!!

Texto extraído do site www.jornalumbandahoje.com.br

Espaço do Erveiro - 02/201


Horóscopo Caribenho dos Orixás- Zimpungu


quarta-feira, 17 de março de 2010

Pontos Cantados


Olá irmãos
Que a paz de Oxalá esteja com todos

Bem irmãos o tema de hoje é um assunto muito importante na liturgia da Umbanda, pois é de grande valia esotérica e de grande valor cultural os nossos Pontos Cantados.Desde os primórdios da Humanidade, o som está ligado às religiões, os primeiros vestígios de religiões foram achados há mais de 100.000 anos, onde os homens cultuavam o corpo dos mortos pintando-os e cultuando-os com cantos. Os primeiros religiosos a usar cânticos em suas escrituras foram os Egípcios que cantavam seus louvores aos Deuses.

Diziam os Egípcios que a música servia para comover os Deuses e eles assim terem misericórdia da humanidade. Na África o uso da música e de instrumentos de percussão também sempre foi notado, desde muito antes de qualquer denominação religiosa os africanos sempre entoaram seus cantos em cerimônias especiais. Os judeus também cantam seus louvores cada um para o dia certo, enquanto rezam Muçulmanos também se utilizam de cantos em vez da reza, pois acreditam que a entonação muda sua reza. No hinduísmo, os Brâmanes, que são os sacerdotes logo que o sol aparece cantam em microfones para toda cidade ouvir, dando graças ao novo dia que surgi. E o que falar dos budistas que se utiliza de sinos, tambores e outros instrumentos para marcar o ritmo de rezas e mantras, na filosofia budista a perfeição espiritual é alcançada pelo: Mantra, Tantra e Yantra, que quer dizer: Som, Movimento e Energia.

Na Umbanda não é diferente. A música cantada e a percussão são peças fundamentais em nossa religião. Não se faz música aleatoriamente, nem batem palmas, nem tocam algo nos atabaques sem uma razão, sem uma coerência, sem um porque... Nós chamamos os cânticos de Pontos, e eles são de extrema importância, pois são canalizadores de energia, são os pontos que ditam onde o rito umbandista fixado, quais as suas seguranças e propósitos do ritual.

É imprescindível que os médiuns estejam conectados para entender o porquê um ponto foi entoado, pois assim que este começa a ser cantado espiritualmente portais são abertos, para alguma finalidade. Muitos médiuns não atentam para a magnitude dos pontos cantados, muito trazem mensagens de fé, amor e esperança.

Outros são pontos de segurança, esses que servem como súplica para um Orixá guardar e proteger todos os filhos que ali estão pontos de advertência também são cantados. Estudos esotéricos dizem que cada nota musical emana uma cor e uma energia, este é o motivo do médium se assemelhar com tal ponto, pois no momento que ele é entoada uma energia estará vibrante no lugar e esta energia serve para preparar e ajustar as ondas cerebrais para o médium entrar em contato com o verdadeiro Alto Astral. Se o Médiun não estiver atento ele não aproveitará a energia ali presente, por isso algumas condutas devem ser tomadas dentro do terreiro. Não devemos entrar no templo como se estivéssemos indo a algum lugar qualquer, pois estamos num lugar sagrado e este merece respeito. Devemos ter uma postura correta, não falando em tom alto e muito menos usando palavras chulas, devemos entender que ao entrarmos no terreiro estamos entrando na casa de Deus.

Muitos pensam que uma postura séria é uma postura mal educada ou rude, mas não é verdade, na casa de Deus temos que ser alegre, pois Deus é a Alegria, a tristeza de nada combina com o templo. Outro aspecto importante é cantar os pontos com vontade, imagine só se você estivesse de frente para Ogum você cantaria sem ânimo, animemo-nos, pois ogum está realmente a nossa frente quando cantamos para ele, por isso fervor, vontade e emoção, é muito importante. Não devemos gritar, e sim entoar com amor e dedicação os pontos, assim teremos um melhor aproveitamento do rito. Além de cantar e dançar num ritmo só, também é muito importante, pois no movimento nos desligamos no mundo material, e fixamos nosso pensamento no principal propósito dos trabalhos espirituais a: CARIDADE

Que Oxalá .nos abençoe sempre.

Saravá .'.

"Semirombá"

quinta-feira, 11 de março de 2010

Maria Padilha e Iracema


A trajetória de Maria Padilha e Iracema

Com sete anos de idade,
minha mãe me abandonou.
Fui criada lá na mata, tão só.
Ai de mim meus companheiro,
tem dó.

Ai de mim meus companheiro,
eu, tão só.
Canto de Maria Padilha

Ela, Iracema, nos conta que veio da Paraíba aos quatorze anos de idade, à procura de uma vida melhor no Rio de Janeiro. Migrante, fugia da severidade do pai, do casamento forçado. Fugia dos olhos invejosos daqueles, que incapazes de amar publicamente, se dispunham a vigiá-la, furtivamente, nos seus encontros amorosos. Tentativa vã, de viverem em Iracema, seus desejos inconfessos, sua coragem e audácia de se expor ao julgamento inquisitório de uma sociedade condenada a viver de aparências. Fugia ela, dos muros erguidos contra a prática de sua religiosidade espírita, herdada de sua avó. Fugia da pobreza, da solidão precoce.
Disposta a encontrar o avesso do que viveu nas terras paraibanas, Iracema se defronta no Rio de Janeiro com uma vida que também não lhe deu descanso nem trégua, mas foi suficientemente receptiva para acolher, através dos braços de Maria Padilha, ela, Iracema. Através de Padilha, uma vida inteira foi se construindo: o grande amor, a gravidez, os filhos, a separação do marido e dos filhos, o trabalho religioso voltado para amenizar a aflição da alma humana.
É sobre a trajetória dessas duas mulheres, uma mundana, terrena, a outra, habitante do outro mundo, o dos espíritos, que trata o presente artigo. Em Iracema, a vontade férrea de autorealização, de uma vida significativa. Em Maria Padilha, a capacidade de curar, de apontar o caminho, de proteger, de encontrar. Entre as duas personagens, a psyque criativa de Carl Gustav Jung e James Hillman, e a “elaboração simbólica” de Carlos Byington, dentre outros.

Lembranças da Paraíba


Iracema conta que sua mediunidade teve a influência de sua avó, uma rezadeira que fazia curas, benzendo as pessoas com um galhinho de pinhão roxo. Ela morava num casarão, convivendo com a dor de ter perdido dois filhos. Um filho morreu de tuberculose e o outro morreu numa sexta-feira santa, por ter desobedecido à norma de que não se faz nada neste dia. Desobedeceu e saiu para cortar um pé de angico. A árvore tornou a brotar e até hoje as pessoas, ao passar por perto, ouvem a árvore gemer e chorar.
Numa vez que dormia com sua avó, Iracema viu dois homens carregando uma enorme cruz de fogo. Sua avó também os via, e dizia a Iracema que eram seus filhos que haviam morrido, que não haviam se purificado, e que, sofrendo, iam visitá-la. Naquele casarão, também se ouvia as vozes e choro das crianças que haviam morrido pagãs e que haviam sido enterradas na porteira do curral, por ser um lugar sagrado.
Naquele tempo, Iracema relata, que andava muito pelo mato e a acompanhava uma menina que era muito sua amiga e que parecia um anjo. Ela se vestia de branco e segurava um raminho de flores. No entanto, essa menina desaparecia ao chegar próximo da porteira. Relata, ainda, sua vocação para ajudar os necessitados, levando alimento para as pessoas que moravam na beira da linha do trem. Lembra, ainda, que cuidou, escondido de seus pais, de uma mulher tuberculosa, até à sua morte.
Iracema se auto-designa, já desde criança, como sendo muito mato, muito pedra, andarilha solitária, montadora de cavalos, misturada à natureza, à gente pobre e doente. Ouvidos atentos aos gemidos dos que sofriam também no outro mundo, olhar que alcançava a dor além da fronteira que separa o desconhecido das coisas que podem ser medidas, tocadas, compreendidas.
Aos sete anos ela se imaginava num outro lugar grande e distante, e dizia para sua mãe que iria embora e que ficaria muito tempo sem vê-la. Mas para ir embora, ainda esperou até os quatorze anos quando começaram os tumultos na família. Em desacordos constantes com o pai, saiu de casa, acusada de não ser moça direita. O próprio pai a colocou na cadeia, e ela acabou se casando com um rapaz para conseguir sua liberdade e viajar para o Rio de Janeiro. Essa também foi a época que sua avó faleceu, aos cem anos. No momento do enterro, Iracema de luto, vestida de preto, desmaiou, pois recebeu o contato do espírito da avó. Decidiu que nunca mais se vestiria de preto para ninguém. O negro das vestes seria o marco da grande dor de perder sua avó, a pessoa que tinha sido referência de amor, de amparo e carinho em sua vida na Paraíba.
Com a morte de sua avó, Iracema vai embora para o Rio de Janeiro, sem a autorização do pai que predizia que mulher que ia embora para o Rio, era para ser prostituta. Mas ela foi, sozinha, iniciando um novo ciclo em sua vida marcado por um sangramento menstrual que parecia não ter fim. Foi inicialmente morar com uma tia que a levou a um centro procurando a cura para os desvarios de sua menstruação. Foi o seu primeiro contato com o terreiro. Sendo atendida por Exu Caveira, que acabou foi por provocando medo em Iracema, ela se dirigiu a um outro terreiro, persistindo na busca da cura de sua doença que impedia que ela tivesse filhos, que era o seu grande desejo. Além disso os médicos não conseguiam diagnosticar a causa da hemorragia menstrual que afligia Iracema. Nesse terreiro de Umbanda com Quimbanda ela foi atendida pelo Caboclo Seu Lírio Branco que disse a Iracema que ela só iria melhorar e engravidar se ela colocasse uma roupa e fosse fazer caridade. Assim ela fez. Passou a freqüentar o terreiro como cambone e desenvolvendo sua mediunidade incorporou a primeira entidade – a Pombagira Maria Padilha.
Na trajetória do amor, um espanhol apareceu, e diz Iracema que poderia ter sido feliz com ele, mas que o destino traçou outros caminhos que a levaram a conhecer o pai de seus filhos. Recorda ela que acabou indo morar com ele em Coelho da Rocha. A relação com o homem, mais uma vez, foi muito dura. Passou fome, era espancada e ameaçada de morte, caso o abandonasse. A partir de então, Iracema passou a trilhar os caminhos da religiosidade umbandista, e posteriormente, candomblecista, e através da força espiritual de Maria Padilha, vem praticando a caridade curando crianças, homens e mulheres de suas aflições físicas e espirituais. São muitas as histórias: livrar alguém da morte encomendada por alguém, através do envenenamento; restituir a força do caminhar numa perna prestes a ser amputada; libertar um outro das drogas; conseguir um emprego para os desfiliados do sistema, um amor para os despossuídos de afeição.

Outras Vozes

Diz James Hillman que:
Os relacionamentos oferecem containers para a loucura. Quanto mais profundos forem, mais poderão conter. Eles provêm local para o sacrifício e proteção contra o aspecto destrutivo do criativo. Quando esses canais são negligenciados, quando o instinto não pode ser moldado através de modificações psíquicas adequadas e, principalmente quando não há um opus continente para a criatividade, os arquétipos irrompem diretamente em cena”: vê-se então o impulso primordial destrutivo/criativo; o homem compelido, desesperado, desmembrado; o si-mesmo em seu processo psicótico. (HILLMAN, 1984:43)
O autor nos fala de uma criatividade que se diferencia da que está atualmente em voga na psicologia acadêmica, que registra um novo interesse dirigido para as “diferenças individuais”, para a educação para a “excelência”, para o cultivo de indivíduos criativos na luta pela sobrevivência. A partir do momento em que adquiriu o significado de “produtivo”, por volta de 1800, passou à categoria de novo ego do século XIX. Assim, diz o autor, a criatividade tende a transferir-se cada fez mais para o homem, de modo que a própria palavra se tornou um símbolo conceitual que sustenta as projeções de esperança, individualidade e sobrevivência. Mas para Hillman, analisar a criatividade através de modelos bidimensionais seria converter o mistério criativo num problema a ser solucionado. Submeter a criatividade a uma psicologia explicativa seria o mesmo que sacrificá-la através de um desmembramento ritual. Dessa forma, ele não a define, o que a limita e corta, mas a amplifica, o que a estende e a relaciona.
Criatividade, então, para Hillman (1984:33-35), seria a capacidade da psique de fazer alma. Alma, como metáfora da individuação do ser humano, como fulcro do destino pessoal. Seria a capacidade da psique em se concentrar nas forças míticas, arquetípicas, que são encenadas através dela. Quando Hillman se refere a relacionamento, também não se refere apenas às relações com o outro – família, amigos, companheiro. Segundo o autor os relacionamentos humanos podem ser uma condição indispensável, mas não deve ser confundido com o opus de fazer alma. Diz ele que a alma permanecerá estéril se ficar limitada ao círculo humano. O relacionamento, então, deverá incluir a relação com os deuses que habitam as profundezas do inconsciente, os quais guiam o ser humano na sua vocação para a auto-realização. Os relacionamentos fornecem containers para a loucura, disse Hillman. E na meninice de Iracema, nada faltava para desencadear um processo de desmembramento: mãe ausente, pai castrador, sociedade punitiva, figuras masculinas impotentes para realizar o rapto tão necessário às jovens filhas de Deméter. Além das vozes e presenças destrutivas desse mundo, ela também ouvia vozes e via pessoas do outro mundo. Pobreza, solidão, mortes e doenças, eram presenças constantes.
Mas continua Hillman dizendo que tais containers oferecem também proteção para o aspecto destrutivo do criativo. A admiração pela avó, seu amor, seu acolhimento, suas curas e visões, a luta pela sobrevivência, acabaram por criar um vaso uterino capaz de receber Iracema e dar sentido às suas visões. Os tios que carregavam uma cruz de fogo: cruz de sofrimento pela vida mal vivida; a menina de vestido de branco que acompanhava Iracema pelos seus passeios pelo mato: menina amiga, que conversava com ela, irmã, companheira que preenchia os momentos de Iracema nas suas andanças.
Diz, ainda, Hillman (1984: 88-94), que erotismo e criatividade estão estreitamente ligados. Erotismo no sentido hillmaniano de movimento em direção à alma, no fluxo desobstrutor do erótico, fálico em seus saltos repentinos, na relação que supera a distância, na penetração que tem por fim o engendramento. Instintivo, daimônico, Eros nasceu do Caos, e renova-se em ataques afetivos, ciúmes, fulminações. Ele prospera junto ao dragão. Eros aponta para as feridas de nossa personalidade, para seus aspectos não curados e revela à psique as feridas de sua inaptidão para o que é ordenado, oficializado. No entanto, para que seja capaz de criar, Eros precisa da Psique, da consciência, para conseguir a habilidade de lidar com os símbolos que atravessam ferozmente a fronteira que divide o inconsciente da consciência.
Como disse Hillman, não existe criatividade sem Eros. Iracema, desde de sua infância, carregava as feridas provocadas pelas flechas do filho de Afrodite. Pesava em sua alma o desejo de ir embora, de mudar, de dar outro rumo na vida. Desobediente, ela cuidava dos doentes e dava comida aos mais necessitados que ela, escondida do pai. Criativa, recebia as imagens que invadiam sua consciência e se relacionava com elas de forma construtiva. Iracema ao decidir ir embora da Paraíba, inicia um novo ciclo de aflição, salvação e transformação. Diz ela: “Eu fui uma pessoa muito intimidada, jogada sozinha no mundo, porque eu não tive apoio de ninguém, de ninguém mesmo. Fui pro santo inocente, inocente mesmo.” A força erótica presente, impulsionadora, a única capaz de fazer com que uma moça de quatorze anos se casasse para conseguir se emancipar, e assim poder viajar sem ter que pedir autorização dos pais. Iracema teve que lutar contra sua inocência na cidade grande, campo aberto para acolher também as fraquezas humanas. Sua inexperiência no mundo do trabalho, o assédio dos homens, sua necessidade de sobrevivência – ter o que comer, onde morar, o que vestir. Foi para o santo também inocente, diz ela. Não entendia nada de Candomblé, Umbanda. E foi alguém, que nada tem de inocência, que primeiro possuiu Iracema: a Pomba-gira Maria Padilha.
Iracema, no terreiro de Umbanda, foi surpreendida por uma imagem de uma mulher do passado, uma prostituta, fortalecida pelas experiências trágicas pelas quais passou. Mulher madura, bonita, guardiã das misturas de ervas, dos chás, dos despachos que curam, mas que também trazem a dor. Rainha da encruzilhada, tudo sabe, tudo vê. Senhora dos bons conselhos, que regenera e salva. Senhora que retorna a maldade para quem quis prejudicar um filho seu. Uma nova relação se estabelece. Maria Padilha diz a Iracema que sua vida deveria ser dedicada ao trabalho de fazer o bem para os outros, ajudar as pessoas necessitadas.
A entidade espiritual de Maria Padilha é compreendida aqui como um dos símbolos do arquétipo do Grande Feminino, no seu aspecto mais transformador. Enquanto o caráter elementar do Grande Feminino, denominado por Erich Neumann de a Grande Mãe, sempre tende à dissolução do ego e da consciência, no inconsciente, o outro aspecto do Grande Feminino, a anima, coloca a personalidade em movimento, faz com que ela se modifique, levando à transformação. (NEUMANN, 1974:42)
Iracema soube interpretar os símbolos enviados à sua consciência, e dessa forma não se sucumbiu a eles. Sua psique assimilou os conteúdos do inconsciente, contidos no símbolo. Foi capaz de transformar o caráter avassalador do símbolo Maria Padilha, em termos de rituais culturais. Iracema se prepara para receber Padilha: existe um dia definido para receber a entidade, um canto próprio para evocar o espírito, uma roupa apropriada, a bebida preferida de Padilha, o cigarro predileto. Existe, enfim, um ritual que delimita o espaço e o tempo para que a entidade possa possuir seu corpo. Maria Padilha não é mais um instinto, ela se transformou numa imagem sagrada. O símbolo foi nomeado, seu nome é Maria Padilha, e Iracema pode dialogar com ele.
Mas não foi sempre assim. Diz Iracema que Padilha descia e tomava seu corpo quase que constantemente, sem anunciar, sem os rituais apropriados para receber um espírito do outro mundo. O símbolo aqui estava carregado, ainda, de um furor poderoso, extremamente erótico, indeterminado, que domava a consciência de Iracema. Esta, sem força egóica suficiente para lidar com tal numinosidade simbólica. Foi através de um longo processo que as posições se inverteram. Para Padilha possuir o corpo de Iracema, precisa agora de sua autorização.
Essa dificuldade anterior de lidar com Maria Padilha foi também acompanhada de grandes tumultos em sua vida pessoal. Um casamento arruinado, uma separação, a perda dos filhos que foram morar com o pai. A perda de bens materiais, a falta de dinheiro, de um lugar para morar, era o retorno novamente de Iracema a um não-lugar. Era como se novamente tivesse que partir, mas não mais da Paraíba ou do Rio de Janeiro, mas agora de si mesma.
Aos poucos Iracema ajeita a vida e recebe de Maria Padilha um recado. Era para ela buscar seus filhos, morar com eles de novo. E assim ela fez, retomou a vida, agora junto com seus filhos. Mas no meio desse percurso, seu filho mais velho adquire uma doença grave. Desenganado pelos médicos, Iracema é possuída por Maria Padilha que toma as rédeas da situação. Diz Iracema: “Padilha me dizia o que fazer, era eu, era ela, catando as ervas, ela me dizendo qual eu deveria pegar, o que devia fazer, como deveria preparar os banhos, o remédio que iria curar meu filho”. O desespero pela perda definitiva do filho, por um curto tempo, quase fundiu as duas personagens. Era ela, era eu, disse Iracema. O filho foi salvo. Iracema também.

Foi à proteção de Maria Padilha que Iracema entregou seus filhos:
Padilha me dizia que meus filhos podiam ir aonde fosse que ela iria tomar conta e que nunca iria acontecer nada com eles. Realmente, ela tomou conta e deu conta, porque foi muita coisa que a gente passou.
Se por um lado Iracema se refere a Padilha “como um espírito iluminado”, “que dá mais do que recebe”, como sendo responsável por tudo de bom que ela conseguiu na vida, pelo cuidado que teve como seus filhos, a mulher do outro mundo assim também vê Iracema, seu cavalo que a conduz novamente a esse mundo aqui da terra. Assim Maria Padilha fala de Iracema:
Iracema é a muré da terra que eu tiro o chapéu pá ela. A mamureca é rica espiritualmente, a mamureca, ela lutou por muito povo, o que num foi poco, icutô? E ela num perdeu ainda a essência da vida, o dela tá viva, o dela tá querendo a meró.
(...)Ela é muito justa, ela é muito honesta em tudo aquilo que ela faz. A mamureca vem prá tera numa hora abençoada prá dá caminho a povo, pá dá luz e amô, pá segurá na mão.
Maria Padilha não teve filhos em suas vidas passadas, mas criou os de Iracema. Como Iracema, ama as pessoas, os pobres, os que sofrem, ama a natureza:
Eu num tive firo que eu pari, eu tive firo que eu criei. Esses aqui, são firo meu. Eu num paro, mas também não sô figuera. Porque a única Bombogira que num pariu foi a Figuera do Inferno. Ela num gota de criança, e quem num gota de criança não respeita Deus, num é assim? Eu nunca vou fazer mal a uma criança, eu nunca vou fazer mal a um veio, eu nunca vou matá um bicho, e nunca também vou assassinar um ladrão, porque até ele tem perdão, num é assim moça?
Como as relações amorosas de Iracema, as de Padilha também foram tumultuadas, acabando em tragédias. Conta Padilha que sempre foi mulher de muitos homens, mas só a um, deu seu amor:
Ó moça, eu fui muré de muito homo. Não fui muré de um homo só, mas de muito homo que eu gosto na tera e que eu respeito. Eu tenho sete exu, sete homo eu tenho. Eles trabáia pa eu, porque eles gota deu. Mas eu só gostei de um homo, de exu marabô. Na tempo de cigano (...) eu andava com o bando e casei com um cigano, com fogueira, quebrei a taça, fiz juramento, puxei a espada, fiz toda a marmotage, né é assim? Foi quando eu conheci exu marabô. Ele era fio de rei e potegia os pobe, e o pai dele judiava muito da mãe. Ele fancês. E a pai dele pendia a mãe dele assim nas pilastra e botava as muré pa fazer baco na frente dela. E a pai dele negava cumida para os pobe. Aí um dia ele matô o pai dele e por isso ele se tornô exu. Ele num foi purificado, como suncês fala, num foi pro céu, mas onde é o céu, pode ser aqui, num é assim? O céu pode ser suncê, num pode? Aí ele se tornou um exu, mas ele é juto, ele é um exu que trabáia pela justiça, mas ele num gota que faça maldade cum quem num merece. Aí eu gotei desse homo. Aí a cigano a me matô, a tampunhoca.
As histórias de Padilha a muito se assemelham às de Iracema. São memórias que falam de abandono, de injustiça, de pobreza, de desencontros. São vidas complementares. Mas é de Padilha que vem a força que sustenta Iracema. Uma Iracema já cansada de guerrear. Diz Iracema:
No fundo, na verdade acho que tudo isso, as pessoas me vêem com uma pessoa muito forte e que eu podia tudo, dá pra tu entender? É assim que eu sou vista. E incomoda. Tem horas que eu sou frágil, que eu sou criança que eu quero colo, que eu tenho os mesmos desejos, as mesmas vontades, dá pra tu entender? Mas fazer o quê, né? Não posso ser fraca. Eu até deixo transparecer, eu choro, grito, brigo, mas não adianta. Tenho que voltar para o meu mundo e lá vou eu.

Padilha sabe do cansaço de Iracema, conhece seu desejo de novamente ir embora em suas andanças pelo mundo, talvez como a própria Padilha, quando andava pelo mundo com um bando de ciganos:
Mas se a mamureca tiver bango hoje, a senhora pode ter certeza que ela abandona tudo e ela vai imbora pá um lugar bem longe, e ela num qué mais sabê do trabaio meu, e ela tem que trabaiá na tera, aí eu vai pendendo ela por acá, né? A mamureca não nasceu pá ser dominada por ninguém, ela nasceu pá ser livre, fica do lado dela quem qué, num é assim moça?
Diz Jung que o eu só conserva sua integridade e independência, se não se identificar com um dos opostos, mas conseguir manter o meio-termo entre eles, “se ele permanece consciente dos dois ao mesmo tempo”. (JUNG, 1971:156). Assim, parece que Iracema conseguiu esse feito, o de não se identificar egoicamente com os conteúdos arquetípicos, que vieram através do símbolo Maria Padilha, nem de negar a existência deles. Iracema tem sim, a consciência da existência de uma energia psíquica, a princípio estranha a ela, incontrolável, mas que aos poucos foi sendo diferenciada pelo ego, e que recebeu o nome de Padilha. Trata-se aqui, segundo Carlos Byngton, de uma elaboração simbólica.
Ao entrar na consciência, o símbolo pode trazer algo novo e produzir uma desarrumação na ordem vigente. Por isso, o novo, apesar de necessário e criativo, sempre incomoda, e muitas vezes é temido, causando ansiedade. Aos poucos, segue-se a elaboração do símbolo. A elaboração consiste na separação das polaridades dos símbolos, nomeando-as, se desconhecidas, ou reconhecendo-as, se já eram conhecidas. A elaboração simbólica diz respeito, portanto, à discriminação dos símbolos na consciência, à reassociação das polaridades antes separadas. (BYINGTON, 1987:22-23) Esse é um processo constante e interminável. Assim, a estruturação da consciência e da identidade não cessa nunca, o que torna natural a mudança, a criatividade, a dúvida, a insegurança e ansiedade.
Iracema, pois, foi capaz de, criativamente, transformar as vozes que ouvia, as visões, a possessão, surgidas do obscuro inconsciente, mas também com raízes na sua memória social, em cura para suas aflições. Sua aflição e sua cura dependeram, pois, do seu engajamento em sua própria história - de abandono, de pobreza, de solidão e de desamparo, e na maneira como relacionou com o símbolo de Maria Padilha. Iracema reatualizou a sua história, através da história de Padilha, e assim conseguiu dar sentido e transcender suas experiências de dor.
Conclusão
Sou ela, ou serei eu?
Talvez por tão antiga,
seja ela o meu rosto, e seja máscara
esse outro perfil que olha para dentro.
Mansa por fora: dentro uma floresta escura,
poço de paixão, abismo e arremesso.


Lya Luft
Jung irá falar do homo religiosus, (JUNG, 1976: 10-11) que independentemente de qualquer credo religioso, ou do que as confissões religiosas fizeram da questão religiosa, considera e observa cuidadosamente certos fatores que agem sobre ele e seu estado geral: espíritos, demônios, deuses, leis, idéias, ideais. Utilizando da idéia de numinoso de Rudholf Otto, diz Jung que a experiência com um símbolo religioso pode se mostrar poderosa, perigosa ou mesmo útil, merecendo respeitosa consideração, ou mesmo se constituir de uma grandeza e uma beleza tal que passe a ser adorada e amada. O termo religião, então, será designado por Jung como “a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso” (1976:10), ou seja, a religião teria como função ligar a consciência a fatores inconscientes importantes.

No entanto, a experiência com uma fonte desconhecida não é simples de ser compreendida nem fácil de ser suportada. Ela tanto poderá gerar o fascínio e a obsessão, como uma violenta repulsa e medo, causando a repressão daqueles conteúdos. Mas diz Jung que tais coisas numinosas,
(...) são partes importantes de nossa estrutura mental e não podem ser erradicadas sem uma grande perda, pois participam como fatores vitais na construção da sociedade humana, e isto desde tempos imemoriais. Quando são reprimidas ou desprezadas, sua energia específica desaparece no inconsciente, com conseqüências imprevisíveis. (JUNG, 1976:253-254).
A perda ou destruição do numinoso leva à perda dos valores espirituais em proporções perigosas. A mentalidade científica muito contribuiu para o isolamento do ser humano dos fenômenos instintivos e inexplicáveis que sustentam a atividade psíquica consciente. Perdeu-se a conexão com a natureza e a participação emocional com os acontecimentos naturais. Observa Jung que
“o trovão já não é a voz de Deus nem o raio seu projétil vingador. (...) Também as coisas já não falam conosco, nem nós com elas, como as pedras, plantas, fontes e animais. Nossa comunicação direta com a natureza desapareceu no inconsciente, junto com a fantástica energia emocional a ela ligada.” (JUNG, 1976:255)
Essa perda é compensada pelos símbolos que aparecem nos sonhos, na cultura, nas fantasias, trazendo novamente à tona a natureza primitiva com seus instintos e sua maneira própria de pensar, mas expressos numa linguagem na maioria das vezes incompreensíveis para a mente racional da modernidade. Tal mentalidade sempre se imbuiu de um grande esforço para desinfetar a humanidade das chamadas “supertisções”, da crença nos duendes, bruxas e feiticeiras. Mas questiona Jung que, se a superfície do mundo está purificada dos componentes irracionais, é preciso se perguntar “se o mundo realmente humano – e não nossa ficção desejosa dele – também está livre de todo primitivismo.” (JUNG, 1976: 256).
Os símbolos, então, teriam como função trazer de volta à consciência as experiências originais do ser humano, através de uma auto-reflexão crítica. Tal reflexividade levará em conta que o “símbolo não se confronta só com o símbolo em si mas com a totalidade de um indivíduo que gera símbolos” (JUNG, 1976:251), ou seja, o símbolo é algo vivo, ele pertence à economia psíquica do indivíduo e só pode ser explicado da forma que este indivíduo indicar. A existência de fenômenos que estão fora da compreensão humana faz com que a psique busque incessantemente por significados que dêem sentido à sua existência, tornando-a dessa forma inerentemente religiosa, como diz Jung. Os símbolos religiosos possuiriam, então, o papel de representar os conceitos que não podem ser definidos ou compreendidos integralmente. É por isto que as religiões empregam uma linguagem simbólica, e se exprimem através de imagens. É assim que a história de Iracema pôde ser compreendida. Ela foi capaz de conduzir a numinosidade e o fascínio do símbolo religioso de Maria Padilha, um dos aspectos do arquétipo do Grande Feminino, a uma profunda expressão dos ritmos e movimentos da sua vida psíquica e espiritual, permitindo que ela conhecesse esses ritmos e por eles fosse transformada. Essa foi a trajetória criativa de sua psique. Iracema se relacionou com o símbolo espiritual de forma construtiva. Não se sucumbiu nem se identificou com ele. Ela, sim, manteve uma relação com ele. Iracema viu em Padilha sofrida, sozinha, constantemente cortada do mundo pelas mãos dos homens, assim como ela, sua riqueza e luz. Riqueza e luz na capacidade de perdoar de Padilha – “Eu sou uma bombugira que perdoa as pessoa na tera”, sua liberdade e coragem para enfrentar o mundo dos homens – “Eu nunca deixei homo trepá em cima deu moça, eu trepava em cima de homo”, na sua fidelidade à justiça – “Aí ele se tornou um exu, mas ele é juto, ele é um exu que trabáia pela justiça, ele num gota que faça maldade cum quem num merece. Aí eu gotei desse homo” .
Uma relação que propiciou a Iracema sentir amor por si mesma e estar sempre disposta a renovar sua vida amorosa. Fala Iracema: “Só amei um homem na minha vida. Mentira. A gente ama vários homens em várias situações. Mas o amor mais bonito na face da terra, é quando você ama a si próprio”. Iracema aprendeu através de Padilha, a transitar pelos aspectos do arquétipo do Grande Feminino, em seu caráter elementar e acolhedor da Grande Mãe, e em seu aspecto transformador, que arrebata as filhas e filhos daquela que os quer ter para sempre no útero materno.

Iracema que entregou seus filhos para Padilha cuidar, talvez por compreender que ela sozinha não seria capaz da empreendedora e difícil tarefa da maternidade. Iracema que sobreviveu ao poder patriarcal que tentou domesticá-la. Iracema dos amores que não deram certo, seguindo a mesma sina de sua entidade:
Eu acho que esse negócio de mulher submissa, mulher abaixar a cabeça para o homem, mulher apanhar de homem, como eu apanhei mesmo no meu primeiro casamento, com o pai das minhas filhas, é a maior sacanagem. Tem mais é que dar uma surra nele se ele vier pra cima de você, sentar-lhe o pau, mostrar que você também é mais você e por aí.
E ainda:
Existe o encanto, existe a paixão, existe afinidade, mas aquele amor de Romeu e Julieta, joga as tranças Rapunzel, de mulher se matar por causa de homem, acho isto pura invenção. Você se mata por causa de um filho, por causa de um irmão, por causa de um amigo, por causa de uma pessoa necessitada, por um que tá morrendo ali no chão, pra mim amor é um todo. Eu tô com um homem aí, você viu entrar? Ele já foi embora dez vezes e voltou. (...) Porque no fundo, no fundo é chato a gente viver só, mas às vezes a companhia também é tão pesada, que se torna um peso maior, e a tua liberdade vai pra onde? Namorei muito, transei muito. Mas hoje não tenho essa necessidade. Se amanhã ele não tiver aqui, eu não vou morrer porque eu não tenho um homem. Existem tantas outras coisas que podem preencher tua vida. (...) Padilha deixa eu ficar com homem bobo, ela diz que eu não dou pra ficar com homem esperto. O homem da minha vida não apareceu, e ela mesmo fala isso.
Iracema, apesar de uma trajetória que a todo tempo tentou separá-la de si mesmo, dos filhos, da família e da vida social oficial, com as mesmas mãos habilidosas que colhe as ervas e prepara os banhos e chás milagrosos, foi capaz de uma reflexão séria e compreensiva a respeito do amor, das pessoas que lhe dão por codinome “a feiticeira”. Vamos ouvi-la:
O que geralmente a gente joga em cima do homem é a nossa carência, quando não deveria ser isso. A gente devia jogar o quê? Aquela do dividir, do participar, do somar, do ombro amigo, do colo que a gente precisa, entendeu?
E ainda,
Aqui fora me chamam a bruxa, é que as pessoas têm aquele medo. No entanto, eu não me sinto uma bruxa, eu não me acho bruxa, entendeu?
Na minha porta botaram uma colher de pau queimada e uma pedras enroladas com ouro. Eu não vou queimar meu ouro, né? Fui lá tirei as pedras, as correntes de ouro joguei na encruzilhada. Então esse povo tem a maior curiosidade, de repente é de conhecer, né? Aqui é chamada a casa das mulheres bonitas, dizem que aqui só vem mulher bonita, e eu sou a bruxa (risos).
O relacionamento de Iracema com Padilha foi o containers que curou e redimiu Iracema. Iracema dialogou com o símbolo, e essa dialética estabeleceu as fronteiras entre as obscuras imagens do inconsciente coletivo e a consciência. Marcou dia e hora para receber Padilha. Construiu um espaço protegido, o terreiro, para que pudesse receber o símbolo da entidade, carregado de Eros e de sua força numinosa. Psique, como consciência, unida à reflexão, liga e cura, diz Hillman. (HILLMAN, 1984:82). Faz suportar a trajetória nesse mundo. Por mais paradoxal que possa ser, parece que é Padilha que segura Iracema em suas tarefas cotidianas, que a prende a seus filhos, que a impede de deixar tudo e novamente ir embora: “(...) aí eu vai pendendo ela por acá, né?” Iracema não precisou morrer para suportar a cruz de fogo que via seus tios carregarem nos ombros, em suas visões. O amor de Padilha, por ela, Iracema, cicatrizou suas feridas, e a tem colocada de prontidão para viver o que a vida tem lhe oferecido.

Tudo nessa tera se cura cum amô.
Tudo, tudo, tudo.
A pió duença que suncês pensá
na face da tera, ela se cura
cum um remédio que se chama amô.
Maria Padilha


Sandra Defante
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